Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“A leitura é uma amizade.” (Marcel Proust)
Há encontros que não acontecem por mero acaso, mas parecem desenhados pelas mãos invisíveis do destino e pela magia da arte. Foi em uma dessas graciosas coincidências da vida que os meus passos cruzaram com os de Stephany Freire. O palco desse momento inesquecível era a Casa de Cultura Josué Montello, em São Luís do Maranhão, onde celebrávamos o aniversário de nascimento do nosso saudoso e eterno escritor maranhense.
Naquela ocasião festiva, levei comigo um poema emoldurado, nascido do coração e feito em homenagem ao grande mestre da nossa literatura, para presentear a instituição. Ao olhar para a plateia e notar a presença vibrante dos estudantes do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), senti o desejo de compartilhar aquele momento. Perguntei quem gostaria de subir ao palco e dar voz aos versos. A resposta não veio de uma só voz, mas de um uníssono entusiasmado dos colegas: “Stephany!”.
Ao chamá-la para apresentar a obra, vi em seus olhos a coragem e a sensibilidade de quem já traz a poesia na alma. Ela leu o poema com maestria e aceitou o desafio de encantar o público. Terminada a apresentação, em uma conversa sincera e repleta de luz, Stephany revelou-me o seu grande segredo e tesouro: guardava consigo versos escritos e acalentava o sonho de publicar o seu primeiro livro.
Diante de tamanha pureza e talento, ofereci-me prontamente para acompanhá-la nessa jornada e transformar aquele sonho em realidade. Convidei-a para nos reunirmos na semana seguinte, no mesmo local, onde conversamos ao lado de sua dedicada professora de Língua Portuguesa do IEMA, uma parceira fundamental nessa missão de lapidar ideias. Mais adiante, visitei a residência de Stephany para orientar sua mãe sobre os passos necessários do processo editorial: a escrita, a revisão e a publicação. Ao longo dos meses, mantive o incentivo constante, alimentando a chama da criação para que ela não deixasse seus versos adormecidos.
Quase dois anos de dedicação e esperança se passaram até que recebi o tão esperado convite para o lançamento no dia 14 de outubro de 2026. Que alegria imensa transbordou em meu peito! No Auditório do Instituto Florence, na histórica Rua Rio Branco, assisti ao nascimento de Poesias Nunca Enviadas, a obra em que Stephany libertou as vozes do seu coração e as entregou ao mundo.
O ambiente estava tomado por uma atmosfera de puro êxito e celebração. Familiares, amigos, organizadores e convidados dividiam o mesmo brilho no olhar. Sentir o orgulho de ver uma jovem escritora transbordar de felicidade ao colher os primeiros frutos do seu talento é uma recompensa inestimável para quem acredita no poder transformador da arte.
A trajetória de Stephany nos lembra que escrever é um ato de coragem e libertação. Cada jovem que pega na caneta ou mergulha nas páginas de um livro abre janelas para mundos infinitos e constrói pontes para a própria identidade. A leitura ilumina a mente, e a escrita dá asas à alma; juntas, elas têm o poder de transformar vidas, erguer pontes e eternizar sentimentos. Que a coragem de Stephany sirva de inspiração para que outros jovens leitores e escritores não guardem suas vozes na gaveta, mas permitam que suas palavras voem alto e alcancem o mundo.
“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.” (Fernando Pessoa)
São Luís, 31 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.


