Por José Carlos Castro Sanches
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“Sem o sufrágio livre, genuíno e incontestável, o edifício inteiro da democracia desmorona, transformando a soberania do povo em mera ilusão de ótica mantida pelos donos do poder.” (Norberto Bobbio)
Não se vê tudo o que se passa por trás da pesada cortina do teatro político, mas é impossível não perceber os movimentos orquestrados dos protagonistas no palco. Sob a luz dos refletores, o que sobressai são os destroços de uma economia enfraquecida por um governo sem controle de gastos, o aumento avassalador da criminalidade, a censura velada, a privação da liberdade de expressão e a afronta aos valores fundamentais da família e da fé. Assiste-se, com perplexidade, ao avanço de pautas controversas e aos sucessivos abusos do Poder Judiciário em aparente conluio com o Executivo.
“A calúnia, a injúria e a mentira são as armas dos maus para tentar destruir a honra dos bons; mas a verdade é como o azeite, sempre vem à tona.” (Rui Barbosa)
O Brasil padece sob o mal de uma falsa democracia, revestida pela ambição desmedida pelo poder, pela mentira e pela corrupção desenfreada. Sob o manto de um governo sem compromisso ético ou moral, a nação é confinada em uma bolha ideológica nociva, onde a liberdade do cidadão é sacrificada em nome de uma narrativa de governabilidade artificial.
“A democracia não é apenas o direito de votar, é o direito de viver em liberdade e com dignidade.” (Alexis de Tocqueville)
O dia 25 de outubro de 2026 ergue-se como um marco decisivo para um país desolado, dominado pela sensação de impunidade e exausto de decisões inconstitucionais — proferidas para beneficiar uma gestão desacreditada, que recorre a despachos monocráticos no Supremo Tribunal Federal para reverter aquilo que as urnas expressam: a soberana vontade do povo. Uma liderança que se encastela no poder atua em benefício próprio e de seus aliados, divorciada do compromisso real com o destino da nação.
“As democracias modernas morrem não por golpes militares repentinos, mas pelo desgaste lento e gradual das suas normas e instituições por governantes eleitos que abusam do próprio poder.” (Steven Levitsky & Daniel Ziblatt)
As vantagens indevidas oferecidas nos bastidores, as propostas infundadas, as promessas vazias e os programas sociais instrumentalizados para gerar dependência e submissão — em vez de autonomia — revelam o absoluto descaso com o progresso e o desenvolvimento soberano do Brasil. Diante desse cenário, o voto deixa de ser mero formalismo e passa a ser o grito de repúdio, o instrumento de mudança e a última trincheira da esperança para um novo rumo.
“O voto é a única arma que o cidadão tem para se defender dos maus governantes.” (Winston Churchill)
A insegurança jurídica atinge seu ápice quando as regras do jogo são alteradas no meio da partida. A Justiça altera o processo de apuração no último momento, prorrogando o tempo da eleição e lançando sombras sobre a lisura do pleito. A decisão do Ministro Cristiano Zanin — suplente do TSE e ex-advogado pessoal do atual presidente da República — ao revogar o posicionamento do Ministro Nunes Marques, presidente do TSE, evidencia uma clara invasão de competência dentro da própria Justiça Eleitoral. Trata-se de uma mancha indelével no sistema, provocada pelo próprio arbítrio das instâncias superiores em detrimento da lei estrita.
“Quando a justiça se torna cega ao direito e servil ao poder, a própria liberdade entra em agonia.” (Montesquieu)
Cresce a convicção de que o processo eleitoral brasileiro se encontra profundamente contaminado pela interferência judicial em favor do grupo que ocupa o poder. Quando o resultado lícito e genuíno da apuração não corresponde aos interesses de quem governa, o tribunal superior intervém para moldar a realidade à sua conveniência.
Seria indispensável para a estabilidade da República a manutenção das regras do jogo preestabelecidas, sem a invenção de novos ritos durante o pleito por meio de decisões monocráticas. A inação ou o recuo da liderança do TSE diante desse cenário faz pairar uma névoa contundente sobre a legitimidade do processo. A tentativa de sustentar o atual governante revela a face mais amarga de um golpe velado contra as instituições democráticas.
“A integridade do sufrágio universal é o pilar indispensável da legitimidade democrática; sem eleições livres, transparentes e imunes à cooptação institucional, o governo perde a sua razão moral de existir.” (Robert Dahl)
O resultado manifestado nas urnas não reflete a profunda descrença da população em um governante que prometeu estabilidade e entregou recessão e leniência. Enquanto o Brasil definha sob abusos de autoridade, prisões arbitrárias e a usurpação das competências dos demais Poderes pelo Judiciário, soma-se a isso a omissão cúmplice de lideranças do Congresso Nacional, que deveriam assegurar o cumprimento da Constituição em vez de adotarem uma postura abertamente parcial.
“As eleições lícitas e transparentes são o único instrumento legítimo capaz de promover a verdadeira transição de poder e renovar as esperanças de um povo livre.” (Hannah Arendt)
Apesar da inércia governamental e do ativismo judicial que tenta manietar a soberania popular, ainda há espaço para o otimismo. A luz no fim do túnel não virá dos gabinetes de Brasília, mas da resistência pacífica, firme e consciente do povo brasileiro contra os abusos do Executivo e do Judiciário. As manobras jurídicas direcionadas contrariamente ao candidato Flávio Bolsonaro e favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva retiram o poder e a autonomia do voto popular, traduzindo-se em tentativas veladas de adulterar o verdadeiro sentimento manifestado nas urnas.
A democracia pode ter sido colocada em banho-maria pelo aparato estatal, mas o fogo da consciência cidadã continua aceso. A verdadeira mudança não se curva a decretos nem a decisões monocráticas; ela se consolida quando a voz soberana de uma nação decide, de forma pacífica e inegociável, retomar as rédeas do seu próprio destino.
Quando aplicada com ética e respeito aos cidadãos, a força da representatividade transforma a sociedade. Como bem apontou Giovanni Sartori, a participação consciente do povo nas urnas é a única energia capaz de oxigenar a democracia e combater os arbítrios do poder. Do contrário, alimenta-se a desconfiança sobre a idoneidade dos resultados, como se observa nos debates acerca dos últimos pleitos presidenciais no Brasil (2022 e 2026).
São Luís, 25 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
