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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O SACERDÓCIO DA CURA: GUARDIÕES DA VIDA E DO TEMPO

Por José Carlos Castro Sanches                              

Site: www.falasanches.com

“Onde quer que a arte da medicina seja amada, haverá também amor pela humanidade.” (Hipócrates)

Neste 19 de maio Dia Mundial do Médico de Família, lembrei-me que o meu pai queria que eu fosse médico. No primeiro vestibular que fiz para Medicina, não fui aprovado devido pontuação insuficiente em Química. Curiosamente, o destino costura suas próprias linhas, e acabei me tornando químico. Contudo, a medicina permaneceu ao meu redor: tenho familiares médicos — incluindo um genro —, além de diversos amigos e amigas que exercem a profissão. Grande parte deles me lê diariamente e, agora mesmo, sei que tenho muitos apreciando esta crônica. Não citarei nenhum nome para não cometer a injustiça de esquecer alguém, o que seria imperdoável, não é?

Não gosto de hospital, não suporto ver sangue e sei que não aguentaria a rotina maluca dos médicos. Tampouco gostaria de ser um deles. Mas admiro, valorizo, reconheço e sou profundamente grato aos seus préstimos. Sem eles, talvez alguns de nós nem estivesse aqui, de tão importantes que são em nossas vidas. Apesar disso, são profissionais muitas vezes pouco valorizados diante do sacrifício diário que enfrentam. Ora desdobram-se em centros de atendimento e hospitais desprovidos de recursos, ora embrenham-se nas mais distantes comunidades do nosso gigante Brasil. Enfrentam, por vezes, repasses insatisfatórios dos planos de saúde que os exploram, sem falar nas inúmeras dificuldades que pontuam o cotidiano da profissão. Para além dos desafios estruturais, ainda precisam conviver com a falta de educação e a agressividade de alguns. Mas essa foi a escolha deles. Então, deixemos as lamentações de lado para reconhecer e exaltar o papel vital dos médicos na sociedade: sem eles, o mundo não seria tão povoado e as doenças já teriam ceifado a existência de multidões.

“O médico cura às vezes, alivia frequentemente, mas conforta sempre.” (Edward Livingston Trudeau)

Ser médico vai muito além do jaleco branco e do estetoscópio cruzado ao peito; trata-se de um sacerdócio secular. Esses profissionais equilibram-se na linha tênue entre a ciência rigorosa e a sensibilidade mais profunda. São os primeiros a nos acolher no milagre do nascimento e, frequentemente, os últimos a segurar nossas mãos na despedida final. O papel do médico é traduzir a dor em esperança, decifrar os silêncios do corpo e estender o bálsamo do alívio quando a cura já não é possível. Celebrar esses guardiões da saúde é um ato de justiça e humanidade. O Dia do Médico, comemorado em 18 de outubro, foi escolhido em consonância com o Dia de São Lucas, o santo padroeiro da profissão, que também era médico e historiador, simbolizando a união entre a vocação espiritual do cuidar e a arte da narrativa humana.

Olhando para o retrovisor do tempo, a própria origem da medicina nos transporta a um passado místico, onde os primeiros curadores buscavam nas plantas, nos elementos da natureza e na observação dos astros as respostas para os males do corpo e da alma. Da magia antiga à precisão dos laboratórios modernos, a história médica é pavimentada por mentes brilhantes. Entre tantas personalidades revolucionárias, destaca-se a figura extraordinária do canadense Sir William Osler, considerado o pai da medicina moderna. Osler revolucionou o ensino e a prática médica ao tirar os estudantes dos livros teóricos e levá-los para a beira do leito dos pacientes, instituindo a residência médica. Ele ensinou ao mundo que não se trata apenas de tratar a doença que habita o corpo, mas de compreender profundamente a pessoa que carrega a doença.

“A medicina é uma ciência da incerteza e uma arte da probabilidade.” (Sir William Osler)

Portanto, só nos basta agradecer por sua dedicação e, com uma pitada de bom humor, torcer para estarmos distantes deles na rotina médica. Afinal, estar ao lado de um médico com muita frequência — a menos que seja um familiar ou um amigo de conversas fraternas — pode não ser um bom referencial de saúde. Que esta crônica seja um abraço em forma de palavras. Fortaleçam o seu trabalho, nobres doutores e doutoras! Que mantenham firme a determinação, o compromisso com os estudos e a busca incansável pelo conhecimento e pela cura. Recebam o nosso mais sincero afeto, o respeito eterno e a imensa gratidão por tudo o que representam em nossas vidas.

“A arte da medicina consiste em distrair o paciente enquanto a natureza cuida da cura. (Voltaire)

São Luís, 19 de maio de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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