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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

AS CORES DO AMOR NOS OLHOS DE AMELIE SARA, A PINTORA 

Por José Carlos Castro Sanches 

Site: www.falasanches.com

“Todas as crianças nascem artistas. O problema é como permanecer artista depois que crescemos.” (Pablo Picasso)

A incrível capacidade criativa das crianças é algo que verdadeiramente nos impressiona e arrebata. A cada novo dia, sinto-me profundamente surpreendido com as novidades e a genialidade dos meus netos. Às vezes, pego-me pensando, em tom de gracejo, se estarei ficando velho e caducando. E o que é ainda mais poético — ou talvez uma terna teimosia — é que continuo a escrever e a compartilhar cada uma dessas adoráveis peripécias que eles desenham no fluxo cotidiano de nossas vidas.

“O olhar da infância é o único que consegue ver o mundo antes que ele seja gasto pelo hábito.” (Manoel de Barros)

Estávamos reunidos para o almoço na casa da minha filha caçula. À mesa, compartilhávamos o pão, o afeto e a celebração do Dia das Mães, cercados por ela, seu marido, seus filhos e minha amada esposa. Foi nesse cenário de ternura compartilhada que percebi os movimentos sutis da minha neta, Amelie Sara. Com uma caneta e um papel nas mãos pequenas, ela executava um ritual sagrado: olhava atentamente para mim, baixava a cabecinha compenetrada e traçava uma linha; voltava a erguer os olhos, decifrando minha fisionomia, e repetia o delicado processo.

“A arte não reproduz o visível, ela torna visível.” (Paul Klee)

Ao final de seu minucioso labor, ela me apresentou a sua grande obra-prima: o meu desenho, eternizado ao lado da minha esposa. Ali estávamos nós, irremediavelmente marcados pelo amor e pela pureza mais genuína. Com uma exatidão mágica, Amelie Sara reproduziu as cores exatas da minha camisa, a tonalidade dos cabelos da minha amada e os detalhes minuciosos das nossas roupas. Tudo concebido ao mais puro jeito de ser criança, transbordando um impressionante realismo fantástico — ou seja lá o que possam teorizar os doutos especialistas nessa sublime arte de “pintar o sete”.

“A infância é o chão sobre o qual caminhamos o resto da vida.” (Lygia Fagundes Telles)

Tomado de imensa emoção, recebi dela esse presente inestimável. Já decidi que irei emoldurar esta tela do coração e farei questão de expô-la na próxima edição da prestigiada Bienal de Veneza. Afinal, enquanto dedico meus dias a ensinar-lhes a arte de escrever e compartilho com eles os meus humildes aprendizados, são eles, na verdade, que me ensinam a essência mais profunda do ato de amar, sem reservas ou artifícios.

Para conhecer a obra-prima da pintora Amelie Sara, participe da próxima La Biennale di Venezia. Até lá!

“Quem já foi criança saberá dizer que o tamanho do mundo se mede pela grandeza dos nossos sonhos.” (Fernando Pessoa)

Rosário, 15 de maio de 2026. 

Direitos reservados ao autor: 

José Carlos Castro Sanches. 

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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