Por José Carlos Castro Sanches
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“A liberdade é a oportunidade de sermos melhores.” (Albert Camus)
Cicatrizes sempre lembram o ferimento e a dor. Quem acredita que as artimanhas do passado e a negligência no presente são virtudes terá como consequência o fracasso. Vasto é o caminho percorrido na escuridão encantando os tolos — a luz brilhará em breve na colina onde o povo se libertará das algemas.
O sacrifício dos escravizados rendidos aos Pelourinhos não será apagado pelo manto ocre que, em nome do poder desmedido e do progresso ilusório, se alimenta do suor e do sofrimento de um povo alienado e encapsulado numa blindagem de medo, mentira e corrupção.
Enquanto isso, o poeta busca a inspiração no colchão que não dorme enquanto ele escreve ao sabor do vento da madrugada e do sussurro inquieto da verdade.
E assim caminha a comédia dos dias: os tiranos erguem monumentos de fumaça e banquetes de ilusão, acreditando que a ignorância é eterna e o silêncio, um fiel vassalo. Pobre vaidade da corte! Riem no topo de seus castelos de areia, esquecendo que até a maré mais calma aprende a engolir coroas. Na engrenagem do tempo, a ironia é rainha: a mesma poeira que hoje cega o povo amanhã cobrirá o pedestal dos soberbos, enquanto a poesia, descalça e vigilante, canta a liberdade que nenhum decreto pode calar.
“Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.” (George Santayana)
São Luís, 22 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
