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MIMETISMO POLÍTICO (A Cor da Conveniência)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A coerência é a virtude da qual os homens de Estado menos se orgulham, e a que mais raramente praticam.” (Alexis de Tocqueville)

Na natureza, o mimetismo cromático é uma sofisticada estratégia de sobrevivência. O camaleão altera a pigmentação da sua pele para se confundir com o meio envolvente, escapar de predadores ou emboscar as suas presas. Trata-se de uma adaptação biológica fascinante e legítima para a preservação da espécie. Na arena partidária, contudo, o fenómeno ganha contornos mui distintos: o mimetismo político não passa de um disfarce mambembe, uma metamorfose oportunista na qual líderes e partidos trocam de pele e de estampa ao sabor dos ventos eleitorais. Não por instinto de preservação da vida, mas por puro apego ao poder.

Não é verdade que as cores da Bandeira Nacional sejam de propriedade exclusiva da direita. Mas convenhamos: ver a esquerda — que ao longo de toda a sua trajetória desdenhou do verde e amarelo e sempre ostentou com orgulho o seu vermelho doutrinário — querer agora pousar posada e vestida com a camisa auriverde é um flagrante atestado de desespero frente ao resultado das urnas no primeiro turno. Trata-se de uma tentativa desajeitada de tentar seduzir os eleitores indecisos sobre um lado que eles nunca defenderam em toda a história do PT.

Um exemplo marcante desse descaso com o símbolo maior da nossa nação ocorreu quando o atual Presidente, recentemente, após ser fotografado ao lado do pavilhão nacional, descartou a bandeira no chão como se fosse lixo desprezível. Na minha percepção, esse ato involuntário traduz a forma exata como ele enxerga o povo brasileiro: nada mais do que mera massa de manobra para servir de degrau aos seus anseios pessoais de poder — uma ambição desmedida que se faz cristalina diante de constantes demonstrações de apego ao cargo sem quaisquer escrúpulos éticos.

Quando o sistema que idolatra o vermelho, tomado pelo pânico da derrota, se submete ainda que superficialmente ao verde e amarelo, é hora de refletirmos. Eles finalmente perceberam a força e a dignidade do povo que veste a camisa do Brasil e, apostando na suposta inocência popular, tentam mais uma vez ludibriá-lo. Todavia, o resultado do último pleito no primeiro turno evidenciou que a consciência nacional não tolera mais os “melancias” — aqueles de casca verde e miolo vermelho —, tampouco aceita aqueles que têm por tradição adotar as cores que lhes convêm para perpetuar o domínio sobre uma sociedade exausta.

O povo brasileiro não suporta mais a submissão a um governo submerso na mentira, na corrupção sistêmica, na violência desenfreada, na censura velada, no inchaço da máquina pública, no aparelhamento das instituições, no descalabro fiscal e no desrespeito explícito às liberdades individuais.

Mudar de camisa conforme a conveniência do momento reflete a falência moral de quem enxerga a política não como vocação para servir ao bem comum, mas como um espetáculo de ilusão de ótica. Quem troca de cor para esconder o que é revela que não possui princípios sólidos, mas apenas interesses de ocasião. O eleitor maduro já percebeu que a verdadeira identidade de um líder não reside no tecido que ele veste às vésperas da votação, mas na coerência dos seus atos ao longo de toda a sua história.

“A política sem ética é a ruína da sociedade; quem muda de lado por conveniência demonstra que nunca esteve do lado da verdade.” (Norberto Bobbio)

São Luís, 17 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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