Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

Eu gosto de brincar com meus netos – as duas maneiras que frequentemente adoto são: 1) Abraçar, beijar e sorrir – cócegas, apelidos e piadas engraçadas; 2) provocar – fazendo coisas que os incomode – arrancar o boné da cabeça, cheirar ‘sovaco,’ encobrir a visão, sentar no meio deles inesperadamente, tomar o lápis e pintar no desenho, tirar a comida do prato deles e comer… São tantas provocações que não imagino como eles detestam ou aprovam, mas quero uma lembrança afetiva ou algo que possa refletir o meu amor e carinho a todos eles – cada um reage do seu modo às minhas provocações. Quando digo que sou o vovô cabeludo – eles respondem: não, você ‘é carecudo’, careca… Quando eu os apelido eles retrucam, quando faço piadas eles criam outras… Quando me aproximo deles, quase sempre têm uma forma provocativa de interação. Por vezes os próprios pais querem limitar as reações deles como se fosse desrespeito com o avô, mas peço para deixá-los livres para interagirmos, porque os provoquei primeiro e criamos intimidade com responsabilidade, enquanto brincamos, sem exceder os limites do respeito mútuo. Recentemente fiz uma viagem em família para Curitiba, Balneário Camboriú, Beto Carrero Word, Gramado, Canela, Passeio de Maria Fumaça de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, entre outras localidades nas adjacências. Seguimos de avião em uma comitiva de 27 pessoas entre familiares, colegas e amigos, partindo de avião de São Luís a São Paulo, e conexão com destino a Curitiba, após a estada e passeios em Curitiba, seguimos de ônibus para Balneário Camboriú, Beto Carrero, e passeios de bondinho, concluída a programação de dois dias partimos com destino a Gramado e Canela, onde nos hospedamos no Tri Hotel, visitamos as cidades supracitadas e realizamos passeios diversos pelas redondezas. Tudo maravilhoso, exceto dois momentos: um durante a ida quando a aeronave sobrevoou por algum tempo aguardando autorização para pouso no Aeroporto de Congonhas, em virtude do mal tempo, condições meteorológicas e pista molhada. E na volta quando a aeronave sair do aeroporto de Porto Alegre, apresentou uma pane no motor, e o voo foi abortado, causando a perda da conexão para São Luís e consequentemente a mudança de rota e atraso de mais de oito horas na chegada a São Luís. O voo previsto inicialmente partiria de Porto Alegre com destino a São Paulo e São Luís, devido ao imprevisto fomos deslocados para um voo Porto Alegre – Campinas – Recife – São Luís.
É fácil imaginar o transtorno provocado aos pais que estavam com crianças de colo, entre eles minhas filhas e genros, mas em benefício da segurança estávamos felizes e vivos graças a Deus. A espera no Aeroporto de Viracopos em Campinas – depois da aeronave ter arremetido no momento do pouso devido a presença de uma “Capivara na Pista de Pouso” me permitiu escrever uma crônica sobre essa experiência. Mas, de verdade, o que me fez refletir além desse acontecimento foi quando aguardávamos a emissão das novas passagens no aeroporto de Campinas – os meus netos Rafael, Leonardo Davi e Amelie Sara brincavam sentados no piso do aeroporto quando me sentei entre eles com o propósito de provocá-los. Imediatamente, os dois reagiram empurrando-me com pés e cabeças e caras zangadas, de forma carinhosa, com cara de zangados – enquanto um deles disse: “o vovô quer atrapalhar a nossa brincadeira”. O outro retrucou – não tem jeito, ele é o nosso avô e temos que suportar – e reforçou – mas tem uma coisa boa: ele é escritor famoso e reconhecido em todo o Brasil – vive dando entrevistas (essa foi a surpresa – como as crianças percebem o que ocorre à sua volta – às vezes agem com ingenuidade, outras com maturidade de adulto).
Em seguida, um dos netos deu um pulo e retirou o boné da minha cabeça e colocou na cabeça da minha neta, ela reagiu dizendo: “que boné fedorento de suor – o cheiro do vovô…”
Ela tem o olfato de elefante, sensível ao cheiro do avô, a pureza e a liberdade de uma criança para dizer a verdade… O boné estava suado e cheiroso, não é Lilica Ripilica? Quanto a Rafael e Leonardo Davi, a saída era suportar as brincadeiras do avô José Carlos, por bem ou por mal, apesar do incômodo, afinal o vovô cabeludo é escritor famoso, não é Tetel e, Léo cabeça de papel?
A viagem maravilhosa permitiu inúmeras reflexões, novas descobertas e escritos, fortalecendo os laços familiares e novas amizades. Integração com filhas, genros, netos, parceiros de viagem tornaram o ambiente agradável e acolhedor. Não apenas o destino se fez importante, apreciamos cada momento desde a partida até o retorno à Ilha do Amor. Aqui agora estamos extraindo e compartilhando as lições aprendidas. Que Deus seja louvado!
São Luís, 23 de janeiro de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS23.01.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.
