Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“Ninguém pode fazer pelas crianças o que fazem os avós: eles salpicam uma espécie de pó de estrelas sobre as suas vidas.” (Alex Haley)
Em 21 de setembro de 2017, minhas mãos traduziram em palavras o que o coração já gritava: “Avós são pais com mel” e “Neto é filho com açúcar”. Hoje, quase uma década depois, revisito esses escritos com o olhar de quem foi lapidado pelo tempo e pelo afeto. O convívio amoroso com meus netos não apenas confirmou aquelas verdades, mas as elevou a um estado de graça. Sou um homem afortunado; cada encontro é um sopro de vitalidade que rejuvenesce a alma e restaura as forças. Há um néctar precioso, uma essência divina guardada no abraço de cada neto — e agora entendo que Deus os criou justamente para serem o nosso bálsamo. No meu portal, o falasanches.com, essas memórias repousam como um convite para quem deseja saborear a pureza dessa conexão.
“Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.” (Provérbios 17:6)
Dizem que a política raramente oferece doçura, mas há exceções que inspiram. Ao ouvir a máxima “neto é filho com açúcar”, senti o estalo da crônica nascer. Victor Hugo já sentenciava: “Há pais que não amam os filhos, mas não existe um só avô que não adore o neto”. É uma verdade absoluta, acessível apenas aos que portam esse título sagrado. Se Deus arquitetou algo mais sublime que a experiência de ser avô, certamente guardou o segredo apenas para Si.
Dedico estas linhas à Julie (minha Jujuba), ao Rafael (o eterno Tetel Sorriso), ao Leonardo Davi (o querido Narizinho Leobriga), à Amelie Sara (nossa Princesa Licura) e à Rebeca (a esperta Coruja). Arnaldo Antunes, em sua licença poética, bem explicou que avô e avó, no plural, tornam-se simplesmente avós — uma síntese que ultrapassa o gênero para focar na essência. Não busco mais a lógica dessa relação; prefiro a embriaguez do sentir.
Há uma química mística entre nós. É vibração pura, uma alegria que transborda em desordem pela casa. Brinquedos espalhados pelo corredor, marcas de dedos nas paredes e o caos lúdico de uma sala transformada em campo de aventuras. Uma casa só tem vida quando o sofá carrega manchas de histórias e o chão ostenta o brilho da água derramada. Somos três gerações brincando de descobrir o mundo e, se a dona de casa protestar contra a bagunça, que me perdoe, mas o amor não conhece limites geográficos ou faxinas impecáveis.
“O brinquedo mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar, chama-se avô.” (Sam Stevenson)
Entro em um transe tão profundo que as palavras, por vezes, parecem insuficientes. Se existe um estágio do sentimento que ultrapassa o amor, ele habita o olhar entre um avô e seu neto. É uma conspiração cósmica que nos deixa “acriançados”, anestesiados diante da beleza da vida. Com eles, a tristeza se dissipa e a felicidade se potencializa ao cubo.
Os netos são a nossa oportunidade de subverter a rigidez do passado. O que outrora negamos aos filhos, hoje incentivamos neles, quebrando tabus e desafiando o tempo. Eles são o remédio definitivo para o estresse e a fadiga do mundo moderno. Se o médico prescreveu às minhas filhas a maternidade, a mim ele receitou pitadas de tempo, colheres de sabedoria e sacolas de amor incondicional. Tomo essa dose diariamente e vejo as doenças desaparecerem entre um pulo, um riso e uma cantiga de ninar.
“Ter netos é a certeza de que teremos aqui a nossa continuidade; portanto, só passe a eles o que de melhor possa existir em você: Amor, Respeito e a Amizade.” (Djalma Pinheiro)
Nada substitui este mar de alegria. Agradeço às minhas filhas e aos meus netos por este espetáculo chamado vida. Ao fim, compreendo: avós são pais polvilhados com açúcar, e por isso o gosto da convivência é tão viciante. Aos que ainda mantêm as amarras e não se permitem esse mergulho, recordo as palavras de H. Jackson Brown Jr.: “Daqui a vinte anos, você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez”. Solte as velas. Explore o riso. Descubra o amor nos olhos de uma criança. Desejo um dia luminoso a quem escolhe amar e curtir seus netos, transformando o tempo em eternidade.
Nota: Texto extraído e adaptado das crônicas “Avós são pais com mel’ e “Neto é filho com açúcar” de minha autoria, publicadas em 21 de setembro de 2017 no site: www.falasanches.com
São Luís, 10 de maio de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
