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TICO-TICO NO FUBÁ (A dança das duas medidas e a balança seletiva da nossa política)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“No teatro da política, a moralidade costuma ser uma questão de figurino: o que em um lado veste-se como protesto legítimo, no outro é tachado de crime imperdoável.” (Hannah Arendt)

A expressão “tico-tico no fubá” sempre remeteu àquela dancinha miúda, ao passarinho que cisca sem sair do lugar ou à bagunça refinada onde ninguém se entende, mas todo mundo finge que domina o ritmo. Pois bem, no nosso pitoresco cenário político, o tico-tico cisca com uma precisão cirúrgica no fubá da conveniência. Se o vandalismo veste vermelho e depreda o patrimônio público no centro de São Paulo, a narrativa oficial veste óculos de alcance seletivo e batiza a balbúrdia como “manifestação democrática”. Por outro lado, se a tinta spray rabisca um debochado “perdeu, mané” na estátua em frente ao STF num fatídico 8 de janeiro, a indignação institucional veste a toga do rigor absoluto e carimba o ato como “terrorismo de Estado”. O que determina a gravidade do delito no Brasil moderno não é a lei, o dano ou a pedra atirada, mas sim a tonalidade do pano: se é o verde-amarelo ou o vermelho, se vem da direita ou da esquerda. O peso das duas medidas tornou-se, afinal, a nossa maior commodity jurídica.

Chegou a hora da mudança estratégica. Ficar em cima do muro deixou de ser prudência para se tornar cumplicidade com o continuísmo de um modelo esgotado, que empurra o país rumo à decadência econômica, mergulha o povo na estagnação e reduz empreendedores e empresas ao mero exercício de sobrevivência antes da falência.

Neste momento de dúvidas e incertezas, a virada para a direita poderá representar um novo marco. O movimento certo nas pedras do tabuleiro pode significar a recuperação do rumo que perdemos há tempos. O voto certo garantirá não um cheque em branco, mas a retomada do crescimento econômico sustentável, o fortalecimento das instituições e a responsabilidade com o dinheiro público.

O povo brasileiro, calejado de promessas vazias, espera para as próximas décadas um país que finalmente leve a sério o seu próprio futuro. Anseia-se por crescimento real e desenvolvimento consistente, amadurecimento e consciência política, menos oportunismo demagógico e menos mentira maquiada de virtude. O que se deseja é um Estado eficiente, capaz de entregar saúde pública digna, educação de excelência para formar cidadãos e não apenas estatísticas, segurança pública rigorosa que devolva a paz às ruas e infraestrutura moderna para conectar nossas riquezas. Tudo isso amparado pelo equilíbrio orçamentário e por uma distribuição justa de renda, onde o progresso não seja um privilégio de poucos, mas uma conquista de todos.

“A democracia não é a ausência de conflitos, mas a existência de regras claras e iguais para todos, independentemente de quem oponha ou governe.” (Norberto Bobbio)

São Luís, 13 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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