Por José Carlos Castro Sanches
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Era o ano de 1961 quando José Firmino Sanches e Zanilde Castro Sanches uniram-se em matrimônio na histórica Rosário do Maranhão. Ali, sob as bênçãos da esperança, plantava-se a semente de uma trajetória tecida com lutas, conquistas e os nobres desafios de acolher uma prole que crescia a cada primavera. Como bem nos lembra o escritor Victor Hugo: “O coração de um pai é a obra-prima da natureza, e o amor materno é o segredo de Deus.” Entre idas e vindas, misturando o suor do trabalho digno ao carinho mais profundo — entre rosas e espinhos —, desabrocharam oito filhos ao longo dessa abençoada jornada.
Quatro homens e quatro mulheres preencheram aquele lar de vida e harmonia. Coube a mim, José Carlos, a honra de ser o primogênito e este que vos escreve, abrindo caminhos para os que vieram em seguida: Carlos Henrique, Zanilra, Carlos Alberto, Josenilde, Zenilma, Uilton e Josete. Éramos uma família extensa; o trabalho dobrava para alimentar, educar e cuidar, mas tudo parecia leve e suave naquele ninho abençoado, permanentemente repleto de amor. Afinal, como asseverou o pensador G. K. Chesterton: “A família é a base de toda a sociedade e a única coisa que o homem livre faz por si mesmo”, consolidando-se como o pilar que sustenta o mundo.
Vimos o tempo correr célere. Crescemos, tornamo-nos adultos, enquanto o tempo, com sua sabedoria silenciosa, esculpia neles a beleza da maturidade. Transformaram-se em pais, avós e bisavós imensamente amáveis e amados. Diante de tanto desprendimento, nossa alma transborda em respeito e profunda gratidão, ecoando o mandamento milenar das Sagradas Escrituras: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Êxodo 20:12).
Movido por esse sentimento de reverência, brotou em mim o desejo sincero de homenageá-los, estendendo esse abraço aos meus irmãos por meio de uma imagem que representasse a totalidade do nosso clã. Contudo, ao buscar no velho baú na casa dos meus pais, entre retratos raros e desgastados pelo tempo, não encontrei essa fotografia perfeita. Naquela época dourada, a vida corria sem a urgência das aparências; o registro fotográfico era uma raridade preciosa e os “flashes” não seduziam o olhar como atualmente. Nossos pais não viviam para as lentes; viviam para a essência do lar.
Restou-me, então, recorrer à inteligência e à sensibilidade para criar uma imagem que pudesse refletir o que habita a minha lembrança e, assim, compartilhar a nossa memória. Ainda que a arte não reproduza com exatidão a realidade física, ela cumpre um papel ainda mais sublime: alimenta a minha fantasia e resgata as boas e eternas lembranças da nossa bela infância. Afinal, como nos ensina Antoine de Saint-Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”, e é na tela do coração que os nossos melhores retratos ficam guardados para sempre.
São Luís, 27 de junho de 2026.
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José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

