Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“Sou de Rosário, sou do Maranhão
Cidade de poesias, teus versos me faz sonhar
No forte de Vera Cruz, estrela no céu reluz
O bailado do meu boi na capoeira, a mocidade incendeia
Morena bela vem olhar, a mais linda brincadeira
Vem aprender a Rosariar!”
(Composição: Boi Mocidade de Rosário)
O dia 11 de abril de 2026 amanheceu sob um manto de nuvens na Ilha do Amor, São Luís do Maranhão. Reza a lenda digital que, em 1954, esta mesma data foi batizada por algoritmos de Cambridge como o “dia mais chato da história” — um vazio absoluto de eventos notáveis. Mas as máquinas não conhecem a alma da “Atenas Brasileira”, nem a pulsação do Studio da Rádio Timbira. Naquela manhã, a lenda sucumbiu à história.
No programa “História em Debate”, sob a batuta do apresentador Marcus Saldanha (Historiador, jornalista, professor e produtor cultural) e as mãos precisas do músico Luís Barreto (Jornalista, cantor e compositor), um grupo de guardiões da memória reuniu-se para dar voz ao passado. Pedrosa Filho – Necó (Decano da Câmara Municipal de Rosário, cantador e compositor), Ubiraci Nascimento (Engenheiro, professor, cantor, compositor e músico), José Carlos Castro Sanches (Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, trovador e poeta), Chico Saldanha (Cantor, compositor e músico), Allan Jorge (Engenheiro, produtor cultural, compositor e poeta) e a historiadora Dayse Martins (Pesquisadora, escritora e educadora) não apenas conversavam; eles teciam, com palavras, o manto sagrado de Rosário do Maranhão. A cidade que o tempo e o rio esculpiram.
Rosário não é apenas um ponto no mapa; é um relicário de barro e fé. Enquanto o mundo recorda os acordes de Bach em Leipzig ou o fôlego interrompido da Apollo 13, nós celebramos o chão que sustenta a quarta cidade mais antiga do estado.
Nas águas do Rio Itapecuru, a vida flui como um verso livre. Ali, onde o pescador lança a rede e a esperança, a história se fez forte. Falamos da Fundação da cidade ligada à construção do Forte do Calvário em 1620, por Bento Maciel Parente, da Emancipação Política em 1914, da Celebração dos 406 anos da fundação de Rosário em 2026, da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, com sua enigmática torre invertida, apontando para o céu enquanto mergulha suas raízes na devoção de um povo que dança para São Benedito.
O apito da estação ferroviária ainda ecoa na memória dos “cassacos” da RFFSA. A Maria-fumaça e o trem, que outrora rasgavam o horizonte, deixaram nos trilhos a nostalgia de uma era de oficinas e progresso. Mas Rosário é mais que ferro e fumaça; é a cerâmica que ganha o mundo, o artesanato que o turista estrangeiro busca como quem procura um fragmento da alma maranhense. É o Boizinho de Cofo, é o brilho do Bumba-meu-boi de Orquestra que ali, nos quintais de José Pereira e Barbosa, encontrou seu ritmo e sua cadência.
“Povo que não tem memória não tem história. E povo que não tem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.” (Autoria atribuída a diversos historiadores)
Da tradição ao porvir: um clamor turístico. Rosário não pode ser apenas o caminho; ela é o destino. Entre bicas e olarias, o rio e a ponte sobre o Itapecuru, a Estação Ferroviária, o Forte de Vera Cruz, a poesia de São Simão, São Miguel, São Brás, Sapucaia, Itamirim, Itaipu…, as tradições culturais, o comércio vibrante, a cidade clama por seu lugar de direito como Polo Turístico. Não é apenas rota para o Munim ou para os Lençóis; é um santuário de tradições literárias e artísticas que alimentam a cultura do Maranhão.
Como bem expressou o poeta rosariense:
“Ah, Minha Querida Rosário!
Se Fosses tu um objeto de valor sentimental
Serias o amor, a paz, a felicidade
O perdão, o abraço, a perseverança
A benevolência, a fraternidade
O sorriso, o afago, o carinho
A solidariedade, o respeito, a saudade
O olhar, o toque, a voz, o aroma
A pureza d’alma ou a liberdade?”
(Estrofe do poema “Portal de Rosário” do Livro “Pétalas ao Vento”, de autoria deste que vos escreve)
Manter essas tradições não é um exercício de nostalgia, mas um ato de resistência. É o fortalecimento do conhecimento como ferramenta de inspiração para que as futuras gerações não vejam apenas ruínas, mas os alicerces de sua própria identidade.
“No Mês De Maio
Tá Todo Mundo Ensaiando
E Desse Jeito
Eu Não Vou Ficar Aqui
Estrelas Brilham No Céu
Iguais Aos Teus Olhos
Brilhando Pra Mim
Eu Já Fiz Minha Promessa
Vou Correndo
Ver O Boi De Itamirim.”
(Itamirim – Chico Saldanha)

São Luís, 12 de abril de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.
Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.
NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS 12.04.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.