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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

POSFÁCIO (Livro: Trova pra que te quero = Autor: Renato Sérgio)

DO SOPRO MEDIEVAL À IMORTALIDADE

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

​A arte da trova lança suas raízes na Idade Média europeia, onde cantigas de amor, amigo e escárnio ecoavam pelas vozes dos trovadores nas cortes e vilas. Essa preciosa herança lírica atravessou o oceano, floresceu no solo brasileiro e encontrou no Maranhão — terra de sensibilidade à flor da pele — um refúgio eterno. Estruturada com maestria em uma única estrofe de quatro versos, com rimas intercaladas e rigorosamente moldada em sete sílabas poéticas (redondilha maior), a trova é a síntese perfeita da concisão e do afeto. Mais do que uma forma literária, ela é guardiã da memória popular e da musicalidade da alma: cada livro publicado é um monumento à sensibilidade, e cada trovador, um tecelão de instantes eternizados pela palavra.

​Nesta obra iluminada do querido amigo e confrade Renato Sérgio Chaves de Carvalho, a caminhada poética desabrocha em “Trovas líricas de amor e companheirismo”, onde o afeto ganha nome e devoção no verso singelo e profundo: “Nina Martins, amor meu.” A narrativa segue suave por “Janeiros, flores e jardins”, revelando “A mais bela flor” que ornamenta a existência. Logo em seguida, em “Crônicas e Celebrações”, renasce a esperança com toda a sua força: “Amanhã,” o sol despertará vibrante e dourado, abraçado pelo riso dos amigos e pelo canto livre das aves. Será o dia em que as nascentes cristalinas cantarão a vitória da nossa fauna e da nossa flora em festa. Pois o amanhã é a promessa de uma nova luz a guiar nossos passos, um sopro de esperança que renova a estrada. É a aurora que o próprio Criador desenhou com carinho — chegando suave, perfumada de paz, como um verso de trova que nos cativa e inspira a sonhar.

​No caminhar trovadoresco, cruzam-se “Reflexões, Sentidos e Identidade” na busca incessante pela “Felicidade” — essa visitante sutil que surge na hora certa e parte sem demora, deixando a promessa de um novo reencontro. Renato nos ensina, com leveza e rigor, a verdadeira “Arte de Trovar”, enquanto nos lança uma provocação existencial: “Trovas pra que te quero, afinal, por quê?” A resposta se faz transparente a cada quadra deste vernáculo inspirador.

​Diante de tanta beleza, resta-nos erguer “Louvores à Atenas Brasileira”, berço abençoado de poetas e cronistas. Entre becos seculares, azulejos coloniais e casarões onde o rio abraça o mar, a Ilha do Amor se fortalece nos arraiais de bumba-meu-boi e cacuriá, nutrindo o corpo e a alma com o sabor único do peixe frito, do caranguejo, do camarão e do tradicional arroz de cuxá — límpido reflexo da “Cultura e Orgulho de Ser Maranhense”. Por fim, o autor rende justa e comovente homenagem à escritora e exímia trovadora Wanda Cunha, Presidente da Academia Maranhense de Trovas, estendendo generosamente seu afeto aos confrades que compartilham desta mesma jornada poética.

​Trovas pra que te quero? Para eternizar o sopro breve da vida em quatro versos de pura luz; para transformar a dor em canto, o amor em morada e a simplicidade em infinito. Para vestir de poesia o cotidiano, guardar na ilha do peito a essência de quem fomos e resgatar, a cada leitura, a humanidade que nos une.

​São Luís, 05 de setembro de 2026.

José Carlos Castro Sanches.

Escritor, trovador e produtor cultural. Membro Efetivo da Academia Maranhense de Trovas — Cadeira 07.

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