Por José Carlos Castro Sanches
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“A arte de viver bem não consiste em eliminar os problemas, mas em crescer com eles.” (Bernard Fontenelle)
Há traços de caráter que agem como verdadeiros repelentes sociais. Entre os mais eficientes, destacam-se dois: a mania de reclamar de tudo e a ilusão de julgar-se superior a todos. Ambos erguem muralhas onde deveriam existir pontes, isolando o indivíduo em um deserto de amargura ou em um pedestal de solidão.
Imagine a convivência diária com alguém que só consegue enxergar a mancha no lençol impecável, o atraso de cinco minutos na rotina, o calor excessivo do sol ou a insistência da chuva. Para essa pessoa, o mundo é um eterno complô contra o seu bem-estar. Seus olhos tornaram-se lentes viciadas em capturar a poeira sob o tapete, a falha no discurso alheio e a imperfeição dos dias. A queixa constante é a sua trilha sonora, um ruído cinzento que drena a energia de qualquer ambiente e transforma o convívio em um fardo insustentável.
No outro extremo da mesma moeda do desencanto, habita aquele que se julga melhor em tudo. O dono da verdade absoluta, o juiz de todas as causas, o portador de um saber inquestionável. Ouvir essa pessoa é submeter-se a um eterno monólogo de auto exaltação, onde o outro nunca é bom o suficiente, rápido o suficiente ou inteligente o suficiente. A arrogância, nesse caso, mascara a incapacidade de aprender, pois quem tudo sabe já não tem espaço para o novo.
O que induz o ser humano a adotar comportamentos tão nocivos? No fundo, a reclamação crônica e a soberba compartilham a mesma raiz: a fragilidade e a insegurança. Reclama-se para projetar no mundo exterior a responsabilidade pelas próprias frustrações; julga-se superior para compensar o medo profundo da própria insignificância. São escudos psicológicos desajeitados, tentativas desesperadas de proteger um ego que teme ser ferido ou ignorado.
Modificar essa postura, contudo, é um convite aberto à nossa própria evolução. Quando trocamos a queixa pela gratitude e o orgulho pela humildade, a dinâmica da vida se transforma de forma assombrosa. Olhar o mundo com olhos de aprendiz nos liberta do peso de ter que parecer perfeito, abrindo espaço para a verdadeira conexão humana. Na vida pessoal e no ambiente profissional, a flexibilidade, a escuta atenta e o reconhecimento do valor do outro são as verdadeiras chaves para o crescimento.
Que possamos desarmar nossos espíritos, cultivando a paciência com as imperfeições da jornada e a generosidade com as limitações alheias. Afinal, a essência humana brilha com mais força não quando tentamos nos sobrepor aos outros, mas quando nossa presença torna o caminho de quem nos cerca um pouco mais leve e iluminado.
“A humildade é a única base sólida de todas as virtudes.” (Confúcio)
São Luís, 15 de julho de 2026.
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José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
