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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O VENDEDOR DE BOLINHAS DE SABÃO

Por José Carlos Castro Sanches 

Site: www.falasanches.com

“A alegria não está nas coisas, está em nós.” (Johann Goethe)

Anoitecia na Praça da Igreja de Pedra, na cidade de Canela/RS. As crianças corriam, desordenadamente, para “estourar” as bolinhas de sabão que o gordinho, com um gorro de Papai Noel, vendia com alegria. Ele lançava as bolinhas em frente à igreja, de modo que o vento se encarregava de espalhá-las para todos os lados. Conhecia o melhor ângulo para amplificar os sonhos das crianças — e também dos adultos. Por que não? Vez ou outra, o pai ou a mãe de uma criança se aproximava do vendedor para adquirir um “kit de bolinhas de sabão”, que consiste em um copo com água e sabão e um pequeno utensílio de metal, em forma de círculo, que, mergulhado na água do copo e sacudido com as mãos ou soprado, produz as bolhas que encantam crianças e adultos.

 “A beleza salvará o mundo.” (Fiódor Dostoiévski)

Enquanto Socorro, Fabielle, Julie e eu estávamos sentados de costas para o letreiro com o nome da cidade de Canela, em frente à igreja, as crianças se divertiam correndo, querendo voar atrás das bolinhas coloridas de sabão que se dispersavam no espaço e explodiam sem deixar rastros.

“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Carlos Drummond de Andrade) 

Deste lugar estratégico, observávamos as pessoas se movimentando pela praça: as crianças correndo; a garota que tirava foto do namorado; os vendedores de brinquedos e bijuterias fazendo a festa com a criançada e à espera dos fregueses.

“A felicidade é como uma borboleta: quanto mais você a persegue, mais ela se afasta. Mas se você dirigir sua atenção para outras coisas, ela virá e pousará suavemente em seu ombro.” (Viktor Frankl)

A minha neta Julie se arrumava, vestindo a roupa de frio — o tempo estava gélido e pouco convidativo para permanecermos até o momento de acenderem as luzes natalinas nas paredes da igreja e ocorrer a descida dos três Papais-Noéis, da torre até o chão, por meio de cordas, em rapel, como se fossem alpinistas. Um espetáculo que elevava a curiosidade dos turistas e trazia alegria para todos.

“A arquitetura é a arte que dispõe e adorna de tal forma as construções erguidas pelo homem, para qualquer uso, que a vista delas contribua para sua saúde mental, poder e prazer.” (John Ruskin)

A Catedral de Pedra de Canela, embora na verdade não seja uma catedral, mas a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, é por si só uma obra de rara beleza, imponente e atrativa. O frio nos abatia, e fomos tomar um chocolate quente e nos acolher no interior da igreja. Assistimos a parte da missa que já ocorria e, ao final, o padre homenageou um casal que completava 60 anos de casados. Um exemplo a ser seguido nestes dias de pouco amor. Parabéns, felicidade e muitas bênçãos ao casal. Assim, com as palmas dos participantes para homenageá-los, seguimos de volta para a praça e lá assistimos ao festival de luzes e brilhos projetados sobre a fachada da igreja, contagiando todos os presentes.

“Viver não é necessário. Necessário é criar.” (Fernando Pessoa)

Retornamos para o hotel em Gramado, jantamos, dormimos e sonhamos com o vendedor de bolinhas que fazia as crianças felizes naquela noite encantada, na praça da Catedral de Pedra de Canela. A vida é bela! E a felicidade está nas pequenas coisas. Viva a vida!

“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” (Antoine de Saint-Exupéry)

Canela, 08 de novembro de 2021.

Direitos reservados ao autor: 

José Carlos Castro Sanches. 

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e promotor cultural.

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