Por José Carlos Castro Sanches
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“O valor de um homem reside naquilo que ele dá e não naquilo que ele é capaz de receber.” (Albert Einstein)
Tudo começou após a leitura de um card que sentenciava: “Não faça nada de graça, porque, quando eles tiverem dinheiro, pagarão a outra pessoa”. Minha esposa, com sua visão pragmática, frequentemente me aconselha a não atender “gratuitamente” pedidos de suporte técnico e operacional para quem precisa de serviços especializados ou deseja enveredar pelo mundo literário. As solicitações são vastas: revisão de textos, adequação de conteúdos, organização de livros, preparação de artes visuais, dicas de diagramação, sugestões de capas, assessoria em lançamentos, estruturação de cronogramas editoriais, mediação de dúvidas gramaticais, mentorias para novos talentos e reuniões exaustivas de orientação.
“A gratidão é a virtude das almas nobres.” (Esopo)
Começo a acreditar que ela tem razão. Observo que, sempre que necessito de ajuda externa, a primeira indagação que recebo é: “Você pode detalhar o que precisa? Feito isso, envie para que eu possa elaborar um orçamento”. Em outras situações, a norma é clara: “Deposite 50% do valor para o início do trabalho e os 50% restantes na entrega”. É uma relação profissional, uma via de mão dupla baseada no respeito mútuo. Eles estão certos; eu é que, talvez, tenha sido condescendente demais.
“Aquele que trabalha com as mãos é um trabalhador. Aquele que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão. Aquele que trabalha com as mãos, o cérebro e o coração é um artista.” (São Francisco de Assis)
Chegou o momento de valorizar o serviço prestado. Afinal, a produção literária não brota do éter. Por trás de cada página, existem custos tangíveis: combustível, deslocamento, tempo dedicado, cópias, energia elétrica, climatização, manutenção de equipamentos de última geração, pacotes de internet de alta velocidade, assinaturas de softwares, impostos e taxas de licenciamento. Sem contar o capital imaterial: a vasta experiência, o know-how acumulado em décadas, as horas ininterruptas de estudo, a curadoria de conteúdo e, sobretudo, a consultoria especializada. Tudo isso é fruto de um investimento constante em dedicação, foco, determinação, resiliência, disciplina e o incessante aprimoramento da arte.
“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por ela.” (Henry David Thoreau)
É preciso sensibilizar aqueles que buscam apoio: produções literárias, consultorias, revisões, suporte técnico e operacional, entrevistas e palestras são pilares de uma carreira que, como qualquer outra, exige subsistência. Sem reciprocidade e sem a devida remuneração, a arte torna-se insustentável. Reconhecer o trabalho de quem nos ajuda a realizar sonhos, a criar possibilidades e a encontrar soluções inteligentes é um exercício fundamental de humanidade. A consciência de que o outro também precisa honrar seus compromissos e manter sua dignidade é o alicerce mais forte para a verdadeira empatia. Valorizar o conhecimento é, acima de tudo, honrar a própria jornada de quem busca transformar o mundo através da escrita.
“A justiça consiste em dar a cada um o que é seu.” (Platão)
São Luís, 21 de maio de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e promotor cultural.
