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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O PESO DA PALAVRA (Entre o Conceito e o Contexto)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta.” (Michel de Montaigne)

 A língua é um organismo vivo, e certas palavras, em determinados períodos, saltam do dicionário para o centro do picadeiro social. Atualmente, a “bola da vez” é a misoginia. O termo, que etimologicamente define o desprezo, o ódio ou o preconceito arraigado contra as mulheres, deixou de ser um verbete técnico da psicologia ou da sociologia para se tornar uma ferramenta de uso cotidiano — e, muitas vezes, de uso tático.

 “Onde as palavras perdem o seu sentido, o povo perde a sua liberdade.” (Confúcio)

 Olhando de forma racional, a identificação da misoginia é um avanço civilizatório necessário. Reconhecer que estruturas históricas muitas vezes colocaram a mulher em posição de subalternidade ou objeto de escárnio permite que a sociedade refine seus valores éticos e morais. O benefício direto de se discutir o tema é a promoção do respeito mútuo e a proteção da dignidade humana. Uma sociedade que não tolera a aversão ao feminino é, por definição, uma sociedade mais justa e equilibrada.

 “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar.” (Martin Luther King Jr.)

 Entretanto, como toda ferramenta poderosa, o uso do termo tem sofrido com os excessos. No cenário atual, a palavra muitas vezes é sequestrada por agendas ideológicas e políticas. O perigo reside na banalização: quando qualquer divergência de opinião, crítica técnica ou discordância de ideias é carimbada sumariamente como “misoginia”, o conceito perde sua força e sua gravidade. O uso inflacionado da palavra acaba por criar uma espécie de “cegueira seletiva”, onde o debate racional é substituído pelo ataque pessoal.

 “O fanatismo é a única forma de vontade que pode ser incutida nos fracos.” (Friedrich Nietzsche)

Para manter uma postura respeitosa sem cair nas armadilhas de extremos, é preciso resgatar o equilíbrio. De um lado, não se pode ignorar atitudes que de fato ferem a integridade feminina sob o pretexto de um conservadorismo rígido. De outro, não se deve aceitar que a pauta do respeito seja utilizada como mordaça ideológica. A verdadeira liberdade de pensamento exige a coragem de rejeitar rótulos fáceis em favor da verdade factual.

 “A virtude é o justo meio entre dois vícios.” (Aristóteles)

 A verdadeira preservação dos valores sociais e éticos reside na capacidade de enxergar o indivíduo além do gênero. Ser respeitoso não exige adesão a cartilhas políticas; exige, sim, o exercício da alteridade. O caminho para evitar as armadilhas é o da moderação: defender a família, a moral e a ética com a mesma firmeza com que se repudia qualquer forma real de desprezo humano. No fim das contas, o respeito mútuo é um valor absoluto que não deveria precisar de “ismos” para ser exercido, mas de uma consciência limpa e de um olhar genuinamente humano.

 “O homem não é nada mais do que aquilo que ele faz de si mesmo.” (Jean-Paul Sartre)

 Resgatar a civilidade é, acima de tudo, devolver às palavras o seu peso real, garantindo que o combate ao preconceito não se torne, ele mesmo, uma ferramenta de injustiça.

 “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.” (Voltaire)

São Luís, 28 de março de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense.

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