Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“Aquele que não lê não tem vantagem alguma sobre aquele que não sabe ler.” (Mark Twain)
Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? A pergunta flutua no ar como o aroma do café logo cedo, antes da lida. Se você busca a resposta nos códigos e decretos brasileiros, encontrará um silêncio curioso: a Lei nº 662 de 1949 aponta apenas a data, 1º de maio, como feriado nacional. Foi a Lei nº 7.466 de 1986 que o batizou explicitamente como “Dia do Trabalho”. Contudo, a alma das ruas e o coração da história insistem no “Trabalhador”, honrando o suor e a voz de quem faz a engrenagem girar.
“O trabalho dignifica o homem.” (Max Weber)
Essa celebração não nasceu do repouso, mas do brado. Remonta a 1886, em Chicago, quando operários tingiram as ruas de coragem para exigir o direito de viver além da fábrica, reduzindo jornadas desumanas. No Brasil, a data foi oficializada em 1924, mas ganhou contornos de festa cívica e promessa de futuro com Getúlio Vargas. De lá para cá, o 1º de maio tornou-se o altar onde o país deposita sua gratidão àqueles que, com mãos calejadas ou mentes afiadas, constroem a soberania nacional. O trabalho é, em essência, o alicerce da dignidade; é o que transforma o indivíduo em cidadão e o solo em pátria.
“Um país se faz com homens e livros.” (Monteiro Lobato)
Curiosamente, o calendário nos reserva uma coincidência poética: o 1º de maio divide o protagonismo com o Dia Nacional da Literatura Brasileira, em homenagem ao nascimento de José de Alencar. Que belo encontro! Se o trabalho ergue as paredes e pavimenta as estradas, a literatura ilumina os interiores e alarga os horizontes. Um povo que ignora seus livros, que negligencia a escrita e se afasta da leitura, é um povo que caminha na penumbra da submissão. Sem a palavra literária, o progresso é apenas mecânico; com ela, o progresso é humano, crítico e libertador.
“A literatura é a prova de que a vida não basta.” (Fernando Pessoa)
Portanto, exaltemos hoje a dupla ferramenta da nossa emancipação. O trabalho, que nos dá o pão e o desenvolvimento; e a literatura, que nos dá o sonho e a consciência. Juntos, são os verdadeiros instrumentos de transformação de uma nação. Que o esforço do trabalhador seja sempre amparado pelo saber do leitor, pois mãos que trabalham e olhos que leem jamais aceitarão o jugo da ignorância.
“A leitura é, para a mente, o que o exercício é para o corpo.” (Joseph Addison)
Neste 1º de maio, rendemos homenagem ao pedreiro e ao poeta, à professora e ao romancista, ao químico e ao cronista. Parabéns a todos os trabalhadores e literatos que, com suor e tinta, escrevem a história de um Brasil mais justo e sabido.
“O conhecimento é em si mesmo um poder.” (Francis Bacon) e “A pena é mais poderosa que a espada.” (Edward Bulwer-Lytton)
São Luís, 01 de maio de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e promotor cultural.
