Por José Carlos Castro Sanches
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“No futebol, o impossível é só uma questão de tempo.” (Ditado Popular)
Eu ainda estou tentando juntar os pedaços do meu coração verde e amarelo. De todas as partidas de futebol que assisti nesta série da Copa do Mundo de 2026, a vitória mais impressionante — e dolorosa de admitir — foi a da Bélgica sobre Senegal. Um jogo em que o placar parecia completamente definido com dois gols dos senegaleses até a metade do segundo tempo. Como torcedor, confesso que já assistia ao jogo relaxado, convicto de que o destino dos belgas estava selado. A esperança deles parecia ter se esgotado, mas a vontade de vencer daquela “Geração Belga” superou todas as expectativas humanas.
Foi aí que o inacreditável aconteceu. Quando o técnico da Bélgica tomou a decisão de tirar os dois melhores jogadores do time, eu, do sofá, gritei: “Enlouqueceu! Entregou os pontos!”. Parecia um ato desesperado e inconsequente de um homem prestes a cair do penhasco. Mas, no futebol, a linha entre a loucura e a genialidade é milimétrica. Logo após as substituições, surgiu o primeiro gol. Poucos minutos depois, o segundo. E, por fim, no último minuto da prorrogação, o terceiro gol. O que parecia uma derrota humilhante tornou-se uma grande e histórica vitória.
“A queda prepara a subida; o desespero molda o herói.”
O que dizer aos que acreditavam ter a partida ganha ao verem, estupefatos, o resultado ser revertido diante de seus olhos? O que torna um perdedor em vencedor em questão de minutos? Essa reviravolta nos força a refletir sobre o papel do líder diferenciado diante das adversidades. Aquele treinador não foi inconsequente; ele teve a coragem de quebrar o óbvio quando o óbvio já não funcionava. E o que dizer dos jogadores, que erravam quase todas as jogadas até conseguirem o primeiro gol? Eles mudaram drasticamente de atuação e, consequentemente, venceram a batalha, sem mesmo terem sido os melhores nos 125 minutos de jogo. A virada histórica foi consolidada no último minuto da prorrogação (120+5′), quando Youri Tielemans converteu um pênalti assinalado após revisão do VAR, garantindo a vaga dos belgas nas oitavas de final.
Essa conquista pode ser descrita por duas palavras: resiliência e audácia. Do ângulo do perdedor senegalês, a frustração é uma ferida aberta, o gosto amargo de um triunfo que escorreu entre os dedos pelo excesso de confiança; a lição clara de que o jogo só termina quando o juiz apita. Já pelo ângulo do vencedor belga, a alegria é catártica, uma epifania de que a técnica sem fé não passa de burocracia. O aprendizado que fica é que, no esporte e na vida, a mente dita o ritmo das pernas.
“Quem tem um ‘porquê’ vence qualquer ‘como’.” — Friedrich Nietzsche.
Agora, cá entre nós, o que esperar da Bélgica nas próximas partidas? Depois de um milagre desses, eu não duvido de mais nada. Capaz de o técnico deles colocar o goleiro na banheira do ataque e o cara fazer gol de bicicleta! Eles viraram os reis do suspense, os inimigos cardíacos dos apostadores.
E isso me deixa pensando em um enigma que não sai da minha cabeça de torcedor brasileiro: como seria um confronto entre Brasil e Bélgica na final desta Copa do Mundo de 2026? Seria a nossa vingança histórica ou o teste definitivo para o meu estoque de calmantes? Diante do futebol maluco que estamos vendo, uma final dessas é uma possibilidade real ou apenas uma utopia delirante? Só o tempo dirá. Eu só sei que, se esse jogo acontecer, vou assistir de olhos fechados.
“O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida.” (Arrigo Sacchi)
São Luís, 01 de julho de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
