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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O IMORTAL DAS PALAVRAS: MIL ANOS DEPOIS

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão forte como qualquer outra realidade.” (Ruy Belo)

No ano de 3026, exatamente um milênio após o registro temporal de minhas lembranças terrestres, contemplei o horizonte infinito da existência. Eu não era mais sujeito às amarras da finitude biológica; contrariando a antiga e ultrapassada lógica da mortalidade humana, ressurgira das cinzas como a fênix milenar. Transcendi o tempo, mas mantive intactas no coração as memórias mais preciosas da minha jornada terrena, preservando a essência da minha alma: a paixão pelas palavras, o amor à família e o compromisso inabalável com o conhecimento e com a vida.

Eu me lembrava com clareza cristalina de onde tudo começara: no dia 26 de março de 1962, na abençoada e acolhedora cidade de Rosário, no estado do Maranhão, fruto da união e do amor de meus pais, José Firmino e Zanilde Castro Sanches. Naquela época, a vida fluía no ritmo das águas e do tempo brando. Ao longo dos anos e das décadas, trilhei caminhos múltiplos e complementares: tornei-me químico, professor, consultor, comunicador, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural. Mais tarde, estabeleci-me na histórica e solar São Luís, terra de marés, casarões e poesias eternas.

Foi também na beleza do caminho que constituí meu maior tesouro terreno: casei-me com Maria do Socorro Menezes Monteiro Sanches, com quem abençoei a vida e compartilhei a jornada, tendo três filhas: Rafaelle, Fabielle e Danielle Sanches. A vida presenteou-me ainda, em outro relacionamento, com meu filho Carlos Daniel Sanches. Dessa árvore frondosa e repleta de afeto, desabrocharam cinco netos iluminados: Julie, Rafael, Leonardo Davi, Amelie Sara e Rebeca — elos vivos de amor que perpetuaram minha linhagem e minha alegria.

Entre 1962 e 2026, vivi um período de intensa produção intelectual e realização humana. Escrevia e publicava diariamente em diversos meios eletrônicos, compartilhando crônicas, poemas, trovas, fábulas e reflexões sobre temas universais. Deixara escritos mais de trinta livros, dos quais dezoito foram publicados nas mais diversas áreas — com destaque para as crônicas —, semeando sementes de inspiração por onde passei.

Minha escrita sempre fora movida pelo desejo de tocar e transformar os corações. Apreciava profundamente as temáticas de autoajuda e motivação: a esperança que renova as forças, a inspiração cotidiana, a fé inabalável, os laços sagrados da família, o valor da verdadeira amizade, a liderança ética, o respeito ao meio ambiente e à segurança, os princípios morais, a paz interior, o amor, a solidariedade, e a harmonia com a natureza, a flora e a fauna. Celebrara a arte, a cultura e a literatura como expressões máximas do espírito humano.

Recordava-me do dia 24 de julho de 2026, em São Luís, quando organizei um conjunto especial de crônicas dedicadas ao fortalecimento da alma e ao bem-viver. Naquele momento, indagava-me sobre o título ideal, a classificação bibliográfica e a melhor estrutura para apresentar ao mundo um livro capaz de conectar o cotidiano à elevação espiritual — e como narrar a experiência de uma vida que se projetaria mil anos no futuro.

A resposta veio com a própria eternidade. Ao renascer das cinzas do tempo e atingir o ano de 3026, percebi que a verdadeira imortalidade reside naquilo que construímos e amamos. Naquele futuro distante e luminoso, continuei a viver momentos de profunda e inabalável felicidade: lendo incansavelmente os clássicos e os novos saberes, escrevendo versos e crônicas que atravessavam dimensões, e convivendo em perfeita e eterna paz com meus familiares.

O tempo não consumira minha essência; ao contrário, purificara-a. A fênix que em mim habitava provou que o amor, a família, a poesia e os valores éticos são imutáveis e imortais. Mil anos depois, a palavra continuava sendo minha luz, meu lar e minha eterna morada.

“Escrever é procurar compreender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é notar até o último sublinhado o que permaneceu inexpresso.” (Clarice Lispector)

São Luís, 24 de julho de 2026 (Registrado para o milênio de 3026)

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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