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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O GRANDE DILEMA DO TRAVESSEIRO (Entre a Soneca Eterna e a Vigília Infinita)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

Sempre tive grande dificuldade em perder o sono ou dormir desconfortavelmente em qualquer lugar fora do meu quarto, especialmente quando me deparo com o calor e os mosquitos — essa combinação não harmoniza em nada comigo. Diante das noites perdidas de sono por outras necessidades, procurei encontrar uma resposta para melhor aproveitar o tempo no travesseiro; decidi, então, contar essa experiência nesta fábula. Eis o dilema que escrevi enquanto esperava o sono tomar conta de mim.

“O sono é a corrente de ouro que liga a saúde e os nossos corpos.” (Thomas Dekker)

O sol escaldante da savana africana batia forte sobre a acácia, onde um elefante-africano, cujos olhos mal piscavam de cansaço, encontrou um coala recém-chegado de uma excursão exótica, confortavelmente aninhado num galho alto.

O elefante, com sua tromba balançando pesadamente, suspirou:

— Amigo peludo, como você consegue? Passo o dia todo patrulhando, comendo e em alerta. Durmo duas horinhas e já me sinto um guerreiro. Essa história de “oito horas” que os humanos inventaram é a maior falácia da história para vender colchão macio. O segredo é a produtividade, não o ronco!

“O sono não é apenas o tempo de descanso, mas a oficina onde a vida se renova.” (Provérbio Popular)

O coala, semicerrando os olhos com uma preguiça invejável, soltou um bocejo longo que pareceu durar minutos:

— Produtividade, meu caro paquiderme? Que conceito cansativo. Eu durmo vinte e duas horas por dia e sou o animal mais feliz e menos estressado deste continente. Oito horas é apenas uma sugestão para quem vive com pressa de chegar a lugar nenhum. A vida é um longo descanso interrompido por um lanche de eucalipto.

O elefante riu, fazendo o chão tremer:

— Vinte e duas horas?! Você perde a vida! E se houvesse um sono bifásico, como faziam os ancestrais? Acordar, socializar, viver e depois voltar ao repouso? Seria muito mais lógico do que essa sua hibernação diária.

O coala, sem se abalar, respondeu:

— Tentar fragmentar o sono é como tentar picar um sonho em pedaços e esperar que ele continue fazendo sentido. Se eu interrompesse meu descanso para “socializar” no meio da noite, acordaria mal-humorado e com fome. A ciência mostra que a qualidade é a soberana, não o relógio. Oito horas, duas horas ou vinte… o que importa é se você acorda pronto para ser você mesmo.

O elefante parou, pensativo. Olhou para suas patas enormes, calejadas pela vigília constante:

— Talvez a pressão de querer ser “eficiente” esteja me exaurindo mais do que a falta de sono em si. A ansiedade de achar que deveria dormir oito horas, quando meu corpo só me pede duas, é o que realmente me deixa exausto.

O coala, finalmente mudando de posição no galho, concluiu:

— Exatamente. O número oito é uma média, não uma sentença. Você quer ser um gigante acordado e eu quero ser um pequeno sonhador. O erro não está no tempo, mas na régua que usamos para medir o descanso alheio.

Numa lição de equilíbrio eles chegaram a um acordo silencioso sob a sombra da acácia: a medida do repouso não reside na contagem das horas, mas na escuta do próprio corpo.

O elefante aprendeu que não precisava se culpar por não dormir oito horas, desde que seu descanso fosse restaurador; o coala percebeu que sua paz era um luxo biológico, não um padrão universal. A solução? Abandonar a ansiedade do “tempo ideal” e adotar a constância: dormir quando o corpo pede, acordar quando o ciclo se completa e nunca, em hipótese alguma, transformar o momento de repouso em mais uma tarefa na lista de obrigações diárias.

Moral da história: Não tente encaixar seu ritmo biológico em uma planilha de produtividade; a produtividade nasce da vitalidade, e a vitalidade é filha de um sono respeitado, seja ele de duas horas ou de vinte.

Rosário, 16 de junho de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e promotor cultural.

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