Por José Carlos Castro Sanches
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“São Luís é uma cidade onde a poesia anda de braço dado com a história, esculpida nas pedras dos becos e no murmúrio das marés.” (Josué Montello)
A chama da literatura em São Luís arde e floresce na primavera feliz, revelando o exato encontro da prosa e da poesia, ecoando junto às águas turvas do rio Anil em plena sinfonia. As letras, as palavras e os livros irrompem em euforia, enquanto, na verve dos poetas, a sensibilidade humana se expande com maestria. O manto sereno da literatura verte como uma nascente cristalina que alimenta os sonhos e desperta toda a nossa gente.
“Escrever é fixar o instante que passa para que ele não se perca no esquecimento do tempo.” (Humberto de Campos)
Nessa Ilha do Amor e da dor, a Fênix se faz lavra perene, e o casarão colonial se enfeita de azulejos e esplendor. A estante revela antigos segredos, enquanto os poetas caminham sem medo pelas ruas de paralelepípedos. As sementes brotam no solo fértil da tradição, e as flores desabrocham em rica expansão, ecoando o mar revolto que embala o barco e o cais entre as ondas, os peixes e os manguezais. O sol brilha como um diamante iluminado, e a lua acesa repousa sobre os becos e o casarão prateado. As estrelas guardam as praças e os corações, enquanto a Feira do Livro de São Luís (FELIS) desperta as mais grandiosas emoções.
“Ler é viajar sem sair do lugar; é construir pontes invisíveis entre o leitor e o mundo.” (Maria Firmina dos Reis)
Emoldurada entre a história e o mar, a FELIS recolhe os encantos da Atenas Brasileira que sabe sonhar. É o grande ponto de encontro onde a Praça Maria Aragão respira em seu espaço altaneiro, movendo as páginas vivas de um povo inteiro. Ali, Humberto de Campos ressoa em cada leitor, e Josué Montello, outro grande baluarte da nossa literatura, habita o verbo e o calor da nossa identidade. A prosa e a poesia celebram a vida a cada livro aberto, elevando a leitura ao nosso rumo certo, transformando o saber na semente e no altar. Afinal, um país que lê e cultiva o hábito da escrita constrói bases sólidas para o desenvolvimento de sua nação, pois o livro é a verdadeira bússola da liberdade e da cidadania.
“Quem não ama a leitura não sabe o que perdeu de eternidade.” (Guimarães Rosa)
E eu, eterno aprendiz que aprendeu a amar o escrito, sigo deslumbrado com a beleza do verso infinito. Deleito-me ao ver como o amanhecer nos guia por este caminho de luz, sabendo que São Luís é, para todo sempre, um poema em forma de cidade. A bela estrela que reluz guia os passos de quem sonha e eterniza este encanto sem fim.
“Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá,”
(Gonçalves Dias)
São Luís, 25 de setembro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.



