Por José Carlos Castro Sanches
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“O fantástico é a nossa realidade, apenas um pouco mais estranha.” (Jorge Luis Borges)
Recebi o convite do querido amigo, radialista, historiador e incansável promotor cultural, Marcus Saldanha. “Meu amigo Sanches, nós do Grupo de Estudos de Literatura Maranhense (GELMA), gostaríamos de convidá-lo de forma especial para a Noite dos Insólitos, na Academia Maranhense de Letras (AML), dia 30, às 18h.” A curiosidade despertou de imediato. Indaguei: “Marcus, o que define essa ‘Noite dos Insólitos’?” Com a maestria de quem conhece os labirintos do saber, ele esclareceu: “A literatura do insólito desafia a realidade convencional. Ela flerta com o sobrenatural, o fantástico, o mágico e o horror, provocando estranhamento. É a inserção do extraordinário no cotidiano, seja através do gótico, da ficção científica ou do fantástico puro.”
“Tudo que é real é, em algum grau, insólito.” (Franz Kafka)
Sem saber exatamente o que me esperava, parti ao encontro do desconhecido. Ao cruzar as portas da Academia, fui acolhido por surpresas e verdades, dúvidas e encantamentos. A atmosfera era de uma magia contagiante, a literatura em sua plenitude resgatava a beleza da simplicidade, congregando todos em uma busca comum pelo conhecimento, num espaço onde não há hierarquias, apenas o desejo de aprender. O evento teve o seu brilho inaugurado pelo recital “A noite dos Insólitos”, com versos imortais de Maranhão Sobrinho, Vieira da Silva, Inácio Xavier de Carvalho e José Neres, magistralmente interpretados pela atriz Linda Barros e pela professora Regina Costa.
“A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta.” (Fernando Pessoa)
Na sequência, o bate-papo, conduzido com destreza pelo escritor e professor José Neres, reuniu uma constelação de vozes: Lourival Serejo, Mauro César Vieira, Tarcyene Muniz e Naiara Sales. A plateia, composta por alunos do curso de Letras da UniFacam e do PG LETRAS (Programa de Mestrado em Letras da UFMA), acadêmicos da AML, intelectuais, artistas e promotores culturais, era o espelho da vitalidade intelectual que fervilha em nossa terra. Coube ao coordenador do GELMA, o professor Dino Cavalcante, a organização desse evento revelador, que transformou a teoria em uma experiência viva e pulsante.
“A cultura é o que permanece no homem quando ele já esqueceu tudo.” (Émile Henriot)
Era um espanto, um estranhamento, uma loucura benfazeja. Enquanto os escritores dissecavam o insólito no auditório da Academia Maranhense de Letras, o mundo lá fora parecia desvanecer. Mergulhamos no duplo, na escuridão da luz que brilha de forma inexplicável na literatura que floresce aqui, nesta ilha magnética e mágica de São Luís. Foi um convite a uma realidade surrealista que, devo admitir, merece nota dez.
“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem.” (Paulo Freire)
Ao final, o momento tornou-se ainda mais nobre com a doação de livros aos alunos presentes, semeando futuros leitores. Levei comigo dois calendários da AML de 2026 e a alma repleta de novos horizontes, voltando para casa um pouco menos “ignorante” e imensamente mais instruído. Ao pé da letra, confirmei a premissa de que o “menos” é, de fato, “mais”. Agradeço pela oportunidade de participar deste encontro ímpar. Que momentos como este sejam cada vez mais frequentes, pois fortalecer a literatura, a arte e a cultura através do envolvimento direto dos alunos e da comunidade é o caminho mais seguro para construirmos uma sociedade mais sensível, crítica e humana. Sigamos, juntos, promovendo a luz da cultura em cada canto da nossa ilha.
“Quem lê, vive mil vidas antes de morrer. Quem não lê vive apenas uma.” (George R. R. Martin)
São Luís, 30 de abril de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
