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O ENIGMA DA CARTA DE COPAS

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

Em uma manhã de sol, em 05 de outubro de 2026, caminhando pelo Condomínio Jardins, minha mente estava tão agitada quanto os meus passos. Enquanto recolhia papéis e plásticos jogados displicentemente pelo caminho, uma pergunta insistente ecoava: “Por que as pessoas descartam seus resíduos com tanta facilidade, mas ignoram a sujeira alheia? O que nos leva a essa negligência, a esse abandono do zelo e do cuidado com o meio ambiente que é, em última análise, a nossa casa?”

Essa pergunta é um reflexo da fragmentação social e da falta de percepção de coletividade, conforme brilhantemente observou Mahatma Gandhi: “A Terra fornece o suficiente para satisfazer as necessidades de cada homem, mas não a ganância de cada homem.” A ganância do consumo rápido, o conforto momentâneo sem responsabilidade, nos torna cegos para o impacto cumulativo de nossos atos. O “eu” se sobrepõe ao “nós”, e a natureza, vista como um recurso infinito, sofre calada.

Foi nesse contexto de reflexão que, entre os resíduos recolhidos, encontrei um objeto inusitado: uma carta de baralho. Não era qualquer carta, mas o Dez de Copas. A imagem estava gasta, dobrada, manchada, mas o símbolo era claro. Imediatamente, a mensagem simbólica se revelou: a carta, que representa a perfeição, o sucesso, a harmonia e a completude no jogo de tarot e na simbologia popular, agora estava jogada no chão, incompleta, suja e degradada.

Essa carta é um espelho poderoso da nossa própria relação com o mundo. Ela nos mostra que, mesmo quando possuímos o potencial para a beleza e a completude (simbolizada pelo naipe de Copas, as emoções, o coração), podemos, por descuido e negligência, nos tornar descartáveis, abandonados à própria sorte. O Dez de Copas no chão é um paradoxo visual que nos ensina a necessidade de resgatar o valor do que temos, antes que seja tarde demais. Albert Einstein alertou: “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim por aquelas que permitem o mal.”

O enigma da carta não está em seu significado no jogo, mas na sua condição. Ela me diz, e a todos nós, que devemos ter a coragem e a humildade de recolher o Dez de Copas do chão, de limpar a sua imagem e restaurar o seu valor. Ela é um convite a transformar o nosso olhar, a ver que cada objeto, cada ser, tem um propósito e uma dignidade que não podem ser ignorados. Que a lição do Dez de Copas seja um ponto de partida para uma nova consciência ambiental e um compromisso redobrado com a preservação da nossa vida em comum.

São Luís, 06 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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