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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O ALQUIMISTA DO VAZIO

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“Um pouco de ciência afasta o homem de Deus, mas muita ciência o traz de volta.” (Francis Bacon, filósofo e pai do método científico.)

Ontem, depois de conversar com um amigo que se denomina ateu, vi em suas palavras o motivo para escrever um exercício de intertextualidade com o propósito de descrever a transição da negação rigorosa para a afirmação vibrante de alguns ateus. Para enriquecer a narrativa, selecionei pensadores que percorreram exatamente esse caminho — do ateísmo ou agnosticismo técnico para uma profunda percepção do sagrado. Eis o resultado do que colhi na busca pela resposta ao meu propósito ao escrever essa crônica.

Houve um tempo em que ele guardava o mundo em gavetas de ferro. Para cada mistério, uma fórmula; para cada angústia, um diagnóstico. Dizia-se livre das “algemas do invisível”, ostentando um ateísmo que não era apenas uma ausência de crença, mas uma presença de negação. Ele não apenas não acreditava; ele vigiava a fronteira da dúvida com o rigor de um sentinela. O que ele não percebia é que, ao lutar tanto contra a sombra de Deus, ele desenhava o contorno exato daquela figura em sua própria alma. Para negar o Infinito, ele precisava medi-lo todos os dias. Para combater a Fé, ele exercitava uma disciplina que muitos santos invejariam.

“Um ateu tem de ter muita fé para manter o seu ateísmo. Para mim, a fé cristã é a explicação mais racional para o universo.” (Alister McGrath, ex-ateu, biofísico e teólogo.)

No despertar da visão, dizem que o ateu é aquele que mais acredita porque sua busca pela Verdade é implacável. Ele não aceita o consolo morno ou a tradição herdada. Ele quer o osso da realidade. E é justamente nesse rigor — nessa Alquimia da Razão — que o fenômeno acontece.

“Quando esse homem “abre os olhos”, ele não descobre um novo mundo; ele descobre um novo modo de ver o mesmo mundo. A precisão que usava para dissecar o mito torna-se a lente para enxergar o sagrado no cotidiano. Onde antes via apenas a mecânica das células, passa a ver a poesia da existência.

“O segredo não está em encontrar novas paisagens, mas em ter novos olhos.”

Com o passar do tempo, torna-se um invejável propagador da palavra.

“Eu acreditava que o cristianismo era apenas mais um mito. Mas, ao investigar as evidências, percebi que eu estava fugindo da Verdade, não a buscando.” (C.S. Lewis, ex-ateu, escritor e professor em Oxford.)

 Por que ele se torna o maior dos pregadores? Porque ele conhece o deserto. Ele sabe como é o frio da ausência e a mudez do acaso. Quando ele encontra o “Sopro”, sua voz não carrega o vício do costume, mas o frescor da descoberta.

Ele não prega por herança, mas por conquista. Suas palavras têm o peso de quem atravessou o nada e voltou com fogo nas mãos. Ele é o cronista que transpõe a barreira entre o barro e o infinito, transformando sua antiga negação na mais vibrante das afirmações.

O paradoxo final: No fim das contas, talvez a descrença fosse apenas o casulo. A fé, o voo. E o propagador, aquele que finalmente compreendeu que o silêncio de Deus é, na verdade, a Sua linguagem mais eloquente.

“A ciência me levou a concluir que o mundo é muito mais complicado do que pode ser explicado pela ciência. Foi a complexidade do DNA que me fez render-se à inteligência de um Criador.” (Antony Flew, filósofo que foi um dos maiores expoentes do ateísmo mundial antes de sua conversão ao deísmo.)

São Luís, 22 de março de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches. Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense.

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