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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

NO RISO DA CRIANÇA, A FELICIDADE ETERNA  (A Poesia Invariável)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

Neste 12 de Outubro, data em que celebramos a pureza e a imaginação das nossas crianças e nos curvamos em devoção a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, renovamos a esperança de um país que se transforma através do conhecimento, da sensibilidade e da fé. Que o olhar curioso dos pequenos encontre nos livros um porto seguro para sonhar e criar, e que a proteção da Mãe Aparecida abençoe os laços da nossa literatura, da arte e da cultura nacional, fortalecendo a verve literária de nossos escritores para que continuem a semear palavras de luz, sabedoria e transformação por todo o solo brasileiro.

A POESIA INVARIÁVEL

“As palavras invariáveis são a espinha dorsal e o cimento da linguagem; sem flexionar, sustentam a harmonia de tudo o que se expressa.” (Evanildo Bechara)

Entre os mistérios e primores da nossa língua portuguesa, há um encanto singular nas estruturas que recusam a mudança. Enquanto substantivos e adjetivos se desdobram em plurais e femininos para acompanhar o ritmo das coisas, certas expressões permanecem firmes, serenas e imutáveis. Elas observam o tempo passar sem alterar uma única letra, guardando no seu âmago a essência do que é constante, perene e verdadeiro.

Tem palavras que não se deixam levar pelos ventos das alterações nem pelas pressões da pluralidade. São invariáveis: o lápis, esse riscador obstinado que desenha caminhos sem multiplicar sua ponta; o vírus, intruso invisível que desafia a paciência dos biólogos; o tórax e o córtex, cofres fortes da vida e da razão; o ônibus, sempre pronto para acolher a multidão no mesmo coletivo de sempre; o pires, fiel guardião do aconchego das xícaras de café; o óasis, refúgio de frescor no meio de qualquer deserto estéril; o atlas, que carrega o peso do mundo sem curvar a espinha; o xérox, espelho fiel de ideias alheias; a fênix, renascida inabalável das próprias cinzas; o inox, reluzente e imune à ferrugem do tempo; o caos, a desordem criativa que antecede toda criação; a fome e a sede, impulsos vitais que nos movem a buscar o sustento; a preguiça, doce pausa que desacelera o relógio; a paciência, virtude dos sábios que sabem esperar o momento certo; o sul, o norte, o leste e o oeste, bússolas eternas do nosso caminhar; o ouro, a prata, o bronze e o ferro, ligas e valores que forjam a história da humanidade; hoje, o único instante presente que verdadeiramente nos pertence; ontem, a memória bonita gravada no livro da vida; devagar, o passo calmo de quem aprecia a paisagem; rapidamente, o relâmpago do pensamento inspirado; muito e pouco, pratos da balança dos sentimentos; de, para, com, em, sem, sob e sobre, pontes afetuosas que conectam ideias e corações; e, mas, porém, contudo, porque e portanto, nós invisíveis da boa prosa; uau!, ah!, oh! e psiu!, sussurros e espantos poéticos da alma; e, por fim, a felicidade, esse estado supremo do ser que não precisa de plural para ser infinita e plena.

Ao contemplar essa bonita imutabilidade, compreendemos que a escrita reflete o próprio viver: há momentos de transformação diária, mas são as certezas constantes que nos dão firmeza, poesia e abrigo ao longo da jornada.

“As formas invariáveis garantem a estabilidade sintática e a coesão do discurso, mantendo o sentido imutável em meio à fluidez do texto.” (Celso Cunha)

São Luís, 11 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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