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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

ILUSÃO DA VERDADE (Além da Polarização Política)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“Quando o debate público perde a capacidade de conviver com a divergência, a política deixa de ser o exercício da negociação para se tornar uma arena de aniquilação simbólica.” (Hannah Arendt, filósofa e teórica política)

Polarização é a palavra da vez que sintetiza o momento político de divergência ideológica pelo qual passa o Brasil. O que me assusta não são as opiniões nem os pontos de vista contrários, mas a abordagem agressiva e por vezes desrespeitosas diante dos posicionamentos divergentes. O que deveria ser debatido estritamente na esfera das ideias tende a descambar para ofensas pessoais, na tentativa apequenada de diminuir o outro — como se existisse apenas um lado da moeda com a verdade absoluta e, do outro, uma boiada de tolos. A significância do interlocutor passa a ser mensurada exclusivamente pela régua da ideologia: se pensa como eu, é “inteligente”; se pensa diferente, é “burro”.

“A fúria verbal surge frequentemente como um mecanismo de defesa psíquica quando a arquitetura dos nossos argumentos desmorona sob o peso da realidade.” (Carl Jung, psiquiatra e psicanalista)

A ciência e a psicologia social nos mostram que, quando nos faltam argumentos consistentes e convincentes para sustentar uma convicção, o cérebro humano tende a interpretar a contradição externa como uma ameaça direta à própria identidade. Diante da fragilidade lógica, ativam-se mecanismos primitivos de defesa: a razão cede lugar ao ataque ad hominem, e a agressividade emerge como uma cortina de fumaça para ocultar a escassez de repertório. Ataca-se o indivíduo porque já não se consegue desconstruir a tese. Esse fenômeno, impulsionado pelo viés de confirmação e pelo isolamento em bolhas cognitivas, reduz a complexidade humana a um tribunal sumário onde a empatia é encarada como fraqueza.

“A democracia não exige o consenso absoluto, mas sim a disposição sagrada de escutar e respeitar a alteridade na sua expressão mais plural.” (Jürgen Habermas, sociólogo e filósofo)

É urgente resgatar a maturidade do diálogo e compreender que o pensamento divergente não é um inimigo a ser destruído, mas uma dimensão inerente à liberdade. Ninguém se torna superior por abraçar uma bandeira ou escolher um lado que considera sua única verdade. A riqueza de uma sociedade madura reside justamente no respeito mútuo, na convivência pacífica com as diferenças e no reconhecimento de que nem a inteligência nem a sensibilidade possuem partido. Ao desarmarmos os espíritos e superarmos a ilusão de que o mundo se divide entre certos e errados, resgatamos o que de mais nobre nos une: a nossa humanidade comum.

“O teste de uma inteligência de primeira ordem é a capacidade de reter duas ideias opostas na mente ao mesmo tempo e ainda conservar a capacidade de funcionar.” (F. Scott Fitzgerald, escritor)

São Luís, 10 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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