Por José Carlos Castro Sanches
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“Se seus planos são para um ano, plante arroz; se são para dez anos, plante árvores; se são para cem anos, eduque as crianças.” (Guan Zhong — Pensador chinês do século VII a.C.)
Curiosamente, parecemos ter desaprendido a arte milenar de cultivar com paciência. Na era do imediatismo vertiginoso, a própria existência transformou-se numa sucessão de apressamentos — onde até o afeto perece diante da urgência. Suprimiram-se os afetos e o dengo, resguardados apenas para o fulgor efêmero do primeiro olhar. Atualmente, exaure-se o desejo num suspiro mecânico, despedindo-se com frieza pragmática para que cada qual se arranje em sua solidão utilitária.
Já não há tempo a perder com a lentidão ritualística de transformar a mandioca em farinha, a cana em açúcar ou o laborioso milagre do mel. Esquecemos tais elegâncias artesanais, ignorando que algoritmos e telas não alimentam o estômago. Anthony Hopkins recorda a lição que aprendeu com o pai: “Hoje é o amanhã com que eu estava tão preocupado ontem”. Mas nós, tragados pela vertigem do agora, sequer alcançamos a alvorada seguinte sem colapsar em ansiedade.
No Nordeste brasileiro, o fiel jumento foi aposentado pelo ronco das motocicletas; o verdor da roça cedeu lugar ao concreto da calçada; a foice calejada virou extensão da tela do celular; e a galinha caipira foi suplantada pela produção pálida da granja industrial.
Enquanto o necessitado vegeta à custa do assistencialismo estatal, o trabalhador vê seu sustento devorado por uma sangria tributária sem fim. Os governantes encastelam-se em seus palácios, a Justiça cambaleia sob a venalidade e o parlamento dobra os joelhos em vergonhosa subserviência. A degradação moral tornou-se a instituição mais eficiente da pátria.
Se tudo permanecer sob essa inércia e apatia, marcharemos céleres para o colapso. A juventude, anestesiada por estímulos fugazes, torna-se uma força de trabalho obsoleta num país desprovido de soberania alimentar, intelectual e moral. Seremos uma nação de transeuntes hiperconectados e espiritualmente famintos, habitando as ruínas de uma terra promissora enquanto o futuro nos engole.
Para romper com esse determinismo trágico e construir um novo horizonte de progresso, tornam-se indispensáveis as seguintes atitudes:
Reestruturação da Educação: Substituir a recompensa instantânea por um ensino focado em raciocínio crítico e planejamento intergeracional.
Valorização da Produção Autônoma e Inovação: Reduzir a asfixia fiscal sobre o setor produtivo, incentivando a modernização sem extinguir o saber sustentável e a autonomia local.
Reforma Ético-Institucional: Exigir transparência e rigor na gestão pública, estimulando o protagonismo do cidadão e reduzindo a dependência estatal.
Resgate do Tempo de Cultivo: Promover uma mudança cultural ao compreender que conquistas sólidas exigem investimento contínuo e disciplinado.
”O futuro pertence àqueles que se preparam para ele hoje.” (Malcolm X)
São Luís, 17 de agosto de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
