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ENERGIA, LUXO E LIXO

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro do contribuinte.” (Margaret Thatcher)

Eu assistia estupefato à análise de um especialista sobre os projetos de instalação de fontes de energia em locais sem gasodutos, cobrindo áreas do Norte do Brasil, do Centro-Oeste — incluindo Brasília — e até mesmo São Luís do Maranhão. Na avaliação do entrevistado, não há qualquer necessidade de investimento nessa modalidade, tratando-se de uma verdadeira aberração econômica e de um flagrante desperdício. Tudo isso vinha em uma reportagem exibida no Jornal Nacional, da Rede Globo — jornalístico a que não costumo assistir quando estou em minha residência, mas que acompanhei por mera coincidência por estar na casa dos meus pais, com a TV ligada, enquanto escrevia. De fato, o tema exige uma profunda reflexão — e é exatamente isso o que farei nas linhas que seguem.

O Brasil é o país da energia barata e da conta cara — o consumidor paga pela incompetência na gestão das distribuidoras, pelo descalabro das políticas públicas e por interesses suspeitos em benefício próprio. Até quando pagaremos para manter o privilégio de deputados, senadores, presidentes e de uma oligarquia financeira insaciável? O povo brasileiro carrega nas costas uma máquina estatal inflada, enquanto assiste passivamente ao encarecimento contínuo de necessidades básicas.

A cada virada de mês, a fatura de luz que chega aos lares brasileiros não reflete apenas os quilowatts consumidos para iluminação ou refrigeração; ela carrega o peso invisível de tributos abusivos, o encargo de bandeiras tarifárias e o custo da ineficiência estrutural. Somos um país abençoado por rios majestosos, ventos abundantes e incidência solar invejável, mas amaldiçoados por decisões políticas que transformam essa abundância natural em pesadelo financeiro.

A gestão do setor elétrico transformou-se em um balcão de negócios no qual o custo dos erros de planejamento é sistematicamente repassado à população. O acionamento desenfreado de usinas térmicas poluidoras e caras, leilões direcionados e benesses fiscais escancaram a priorização dos privilégios de poucos em detrimento da dignidade de milhões. Enquanto em Brasília as luzes e os aparelhos de ar-condicionado funcionam sem restrições — pagos pelo contribuinte —, nas periferias e nos municípios do interior o trabalhador precisa desligar o ventilador para conseguir comprar o alimento do dia.

Os reflexos do uso indevido dos recursos públicos e o aumento excessivo das contas de luz esmagam a economia nacional. A energia cara eleva os custos da produção industrial, reduz a competitividade das empresas brasileiras no exterior e encarece o preço final de cada item na prateleira do supermercado. É um imposto invisível que confisca a renda, assusta investidores e destrói postos de trabalho.

Em última análise, o boleto de energia elétrica converteu-se no retrato mais fiel da nossa cidadania sufocada: um lembrete mensal e doloroso de quanto custa a impunidade, a falta de compromisso ético e o apetite insaciável daqueles que deveriam servir ao país, mas preferem servir-se dele.

“A inflação é a forma de tributação que pode ser imposta sem legislação.” (Milton Friedman)

Rosário, 31 de julho de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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