Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.” (Eclesiastes 4:9-10)
“Quem caminha sozinho chega mais rápido, mas quem caminha acompanhado chega mais longe.” Sou fã de citações e, sempre que as leio, busco extrair sua essência para aplicá-la ao cotidiano. Ao ler o provérbio africano que inicia esta crônica, vieram-me uma pergunta quase instantânea e a seguinte reflexão: “Chegar mais longe acompanhado?” Depende da companhia. E, sobretudo, de onde você pretende chegar — visto que algumas presenças o conduzirão ao sucesso e ao pódio, enquanto outras o arrastarão ao fracasso e à ruína.
Caminhar sozinho oferece a ilusão do controle total. A velocidade é ditada exclusivamente pelo seu ritmo, sem a necessidade de concessões, pausas ou alinhamentos. O solitário avança célere, ultrapassa barreiras imediatas e celebra vitórias individuais com rapidez. Contudo, essa aceleração cobra um preço alto: a ausência de um olhar externo para alertar sobre os abismos do percurso e a falta de um ombro para dividir o peso do cansaço. A solidão no topo costuma transformar a vitória em um eco vazio.
Por outro lado, a jornada compartilhada exige maturidade para escolher quem caminha ao nosso lado. Companhias tóxicas e desalinhadas com nossos valores funcionam como âncoras, drenando a energia e desviando o foco do destino. Em contrapartida, alianças verdadeiras sustentam a caminhada nos momentos de fraqueza, somam sabedoria e multiplicam as alegrias. O destino deixa de ser apenas um ponto de chegada e passa a ser a soma do aprendizado construído ao longo do trajeto.
Diante dessas duas perspectivas, cabe-nos questionar: o que de fato vale a pena? Chegar mais rápido para celebrar sozinho, ou desacelerar o passo para construir um legado ao lado de quem amamos e respeitamos? O valor da jornada não reside na urgência do relógio, mas na profundidade das pegadas que deixamos e nas vidas que tocamos pelo caminho. Chegar longe só faz sentido quando a chegada é compartilhada.
“Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.” (Provérbios 13:20)
São Luís, 19 de agosto de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
