Por José Carlos Castro Sanches.
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“O poder corrompe o pensamento, e a vaidade fardada é o túmulo do gênio.” (Lima Barreto)
Quem somos nós neste tabuleiro de vaidades e ofícios efêmeros? Protagonistas, coadjuvantes ou meros figurantes? Eu conversava com um amigo escritor maranhense sobre as vaidades que estufam o ego daqueles que transitam pelos meios literários. Nesses salões de mármore polido, parece que o cargo pomposo do acadêmico vale muito mais do que o suor sagrado do rito criativo. O apego ao crachá dourado superou o amor à palavra escrita, tornando os caminhos espinhosos e a luta uma inglória encenação. A verve literária, antes faísca, hoje é facilmente suplantada pelo apetite voraz do poder.
“As academias de letras correm o risco de se tornarem o necrotério das ideias, onde se enterram poetas para coroar burocratas.” (Antônio Houaiss)
Afinal, que estranha metamorfose é essa que assola as nossas entidades culturais? Onde antes reinavam a boemia inspirada e o labor estético, hoje assistimos a um desfile de vaidades institucionais. Políticos em busca de verniz cultural, juristas de toga pesada e detentores de cargos de poder tomaram de assalto as cadeiras que deveriam pertencer aos verdadeiros artífices da palavra. Transformaram o panteão das letras em um balcão de negócios e autopromoção, exilando os verdadeiros fazedores de cultura, arte e literatura para a margem do esquecimento. É a burocracia vestindo farda de imortal, com direito a diploma e medalha, mas sem uma única linha de alma verdadeira.
“A verdadeira aristocracia do espírito não se conquista com decretos, mas com a beleza e a verdade da obra criada.” (Machado de Assis)
Diante desse cenário distópico, urge retomar a verdadeira essência dessas instituições. O desafio que se impõe é resgatar o templo do conhecimento, da excelência e do saber, devolvendo-o àqueles que dedicam a vida a decifrar as dores e as belezas do mundo. O papel dos literatos na sociedade contemporânea não é o de enfeitar gabinetes, mas o de atuar como farol crítico e agente de transformação. O futuro da literatura exige coragem para romper com o formalismo oco e reencontrar a sua vocação originária: ser a voz dos sem
-voz e o espelho intransigente da alma humana.
São Luís, 21 de setembro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
