Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
Pai, já não lembras mais que sou teu filho?
O tempo, em seu silêncio, fecha o dia,
Mas não apaga o amor que em nós habita.
Na ausência do olhar que me acolhia,
Tua presença em mim repousa escrita.
Entre espinhos e rosas do caminho,
Vejo-te calmo, à margem do momento.
Já não me reconheces no teu ninho,
Nem no contorno do meu rosto, atento.
Não há maldade em tua mente escura,
Apenas o desgaste da memória;
Um mal injusto que te rouba a cura
Das páginas de uma alma tão notória.
Pois se o esquecimento o desafia,
O nosso laço em rocha se sustenta.
Teu nome em mim reluz como um bom guia,
Na tempestade que o destino enfrenta.
Na cadeira de balanço repousas,
Onde o vento serena a tua dor;
Guardo as lições de vida sobre as lousas
Do teu legado nobre e de valor.
Amar é dar-se sem pedir regresso,
É ter a alma em paz no fim da lida;
Na tua ausência física, confesso,
Tua memória permanece esculpida.
E quando a noite calma em teu porvir,
Teu nome ainda há de soar em prece;
O teu legado que me faz seguir,
É a nobre herança que em mim floresce.
São Luís, 08 de agosto de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
