Por José Carlos Castro Sanches
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“A liberdade de pensamento é a primeira de todas as liberdades, a alma de todas as franquias sociais.” (Rui Barbosa)
Planando alto, no voo LATAM 9052, que me levava de Fortaleza de volta à minha querida “Ilha do Amor”, São Luís do Maranhão, olhei pela janela e me dei conta da data: hoje é 14 de julho, o Dia Mundial da Liberdade de Pensamento. Enquanto as nuvens passavam céleres sob as asas da aeronave, refleti que, na verdade, faria muito mais sentido chamarmos este momento de Dia Mundial da Liberdade de Expressar o Pensamento. Afinal, o pensar ocorre no recôndito inviolável e seguro da mente; a verdadeira e histórica batalha humana sempre foi o direito de colocar esse pensamento para fora.
“A liberdade de expressão é a matriz, a condição indispensável de quase todas as outras formas de liberdade.” (Benjamin Cardozo)
Especialmente no Brasil de hoje, onde outrora era possível debater, divergir e manifestar opiniões com naturalidade, a livre expressão enfrenta mares revoltos. Hoje, já não se pode afirmar com a mesma convicção de antes que esse preceito básico e constitucional se mantém inabalável. As engrenagens do tempo giraram e as coisas mudaram em nosso país. Talvez tenha sido justamente esse instinto de preservação que fez com que a França, inspirada pelos ideais que culminaram na emblemática Tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789, imortalizasse este espírito protetor. A data nos serve como um farol histórico permanente, um lembrete de que a liberdade deve ser plena — e que o pensamento só é verdadeiramente livre quando pode ser compartilhado sem o fantasma do receio.
“Se a liberdade de expressão for tirada, então, mudos e silenciosos, poderemos ser levados, como ovelhas, ao matadouro.” (George Washington)
A mordaça, seja ela sutil ou declarada, não apenas silencia o indivíduo, mas empobrece toda a sociedade. Quando limitamos o direito de divergir, criamos um deserto de ideias homogêneas onde a criatividade e a evolução intelectual morrem de sede. A censura alimenta o medo, e uma sociedade governada pelo receio de falar torna-se incapaz de inovar, de corrigir seus desvios ou de alcançar a verdadeira justiça. O pensamento aprisionado sufoca a alma coletiva, pois é no choque respeitoso das contradições que a verdade se lapida e o progresso humano se consolida.
As lições aprendidas com essa viagem — tanto a física, sobre as nuvens, quanto a mental, através da história — nos mostram que a liberdade não é um estado estático, mas uma conquista diária que exige eterna vigilância. Em um mundo globalizado e interligado por mídias que operam na velocidade da luz, tentar controlar o fluxo das ideias torna-se uma batalha tão inglória quanto tentar conter o vento. Se, por um lado, as redes modernas trazem novos desafios e ruídos, por outro, elas descentralizam a censura: onde uma voz tenta ser calada, milhares de outras ecoam em solidariedade ao redor do planeta. A conexão instantânea fortalece o pensamento livre, transformando cada tela em uma trincheira de resistência democrática e provando que, não importa a distância ou a altitude, a mente humana sempre encontrará um caminho para voar e se fazer ouvir.
”Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.” (Cecília Meireles)
Fortaleza, 14 de julho de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
