Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“A arte de viver é mais parecida com a luta que com a dança.” (Marcus Aurélio)
José? João? Não, amigo: é José João! Nascido em berço humilde na nossa querida São Luís do Maranhão, ele decidiu que a vida seria uma verdadeira montanha-russa, transitando entre rosas e espinhos por caminhos bem tortuosos. Desde pequeno, enfrentou a feiura e outros perrengues que decidiram atormentá-lo. Cresceu naquele estilo “ora doente, ora sadio”, mas sempre amparado por uma mãe que, embora sem tostão no bolso, esbanjava valores, princípios de ferro e muita fé na prosperidade do garoto.
O menino cresceu magrelo e desajeitado, mas com uma resiliência de dar inveja. Enfrentou as intempéries, superou tempestades familiares, mandou o alcoolismo passear, deu rasteira na solidão e venceu todas as incertezas. Resultado? Formou família, criou os filhos, casou-se e separou-se… nada menos do que quatro vezes! Pense num homem eclético: viajou por outros estados, trocou de profissão várias vezes e colecionou superações de tirar o chapéu.
“Não importa quão estreito seja o portão, quão carregada de castigos a súmula, sou o capitão da minha alma, sou o dono do meu destino.” (William Ernest Henley)
Estudou no suor e na raça: passou pelo fundamental, pelo médio e chegou à universidade, diplomando-se em Matemática. Depois, gabaritou o concurso da Secretaria de Educação do Maranhão (SEDUC), deu aula à exaustão e garantiu a tão sonhada aposentadoria. Como se não bastasse contar números, pegou gosto pela leitura, aprendeu a arte de escrever e transformou-se em um escritor e tanto. Nosso encontro se deu nos corredores dos movimentos literários, onde o convidei para brilhar na Academia Literária do Maranhão (ALMA) — da qual somos membros de carteirinha. Viramos grandes amigos, confrades e, claro, fiz questão de adotá-lo como meu afilhado literário!
Nascido em 1950, José João é daquela safra rara que viu o mundo virar de cabeça para baixo com a tecnologia, mas manteve intacto o que realmente importa: a sensibilidade poética, o amor à família, a lealdade inabalável aos amigos e aquela alegria contagiante de viver cada dia como se fosse uma festa única.
“Envelhecer é ainda a única maneira de se viver muito tempo.” (Charles-Augustin Sainte-Beuve)
Completar setenta e seis primaveras neste 10 de novembro de 2026 é muito mais do que atualizar a idade no documento; é celebrar uma tapeçaria digna de obra-prima, tecida com fios de paciência, sabedoria acumulada, afetos genuínos e histórias que dariam um livro à parte. Chegar até aqui é olhar para trás e ver uma caminhada riquíssima: memórias da infância, os desaforos superados da vida e aquelas pequenas vitórias cotidianas que esculpiram seu caráter generoso.
É também a celebração do calor humano: o porto seguro da família, o abraço apertado dos filhos e netos, e o carinho de todos que encontram nele um verdadeiro oásis de inspiração. Afinal, quem tem o privilégio de conhecê-lo leva de brinde um sorriso compartilhado, conselhos cheios de sabedoria na sombra da tarde e uma marca indelével no coração. Criando e contando histórias estapafúrdias e mirabolantes, sorrindo e chorando diante das próprias experiências, resgatando a memória de dor, sofrimento, tristeza e alegria.
“A vida não se mede pelo número de anos, mas pela intensidade com que amamos e fomos amados.” (Carlos Drummond de Andrade)
Que este 10 de novembro seja um verdadeiro espetáculo de luz, repleto de abraços esmagadores, risos fáceis e o carinho estrondoso de quem o rodeia. Desejo saúde de ferro, paz na alma, o passo sempre sereno e o coração escancarado para as novas manhãs que virão.
Parabéns, José João, por estas setenta e seis primaveras de pura inspiração! Que venham muitos outros capítulos, repletos de harmonia, poesia e muita alegria.
“Que a vida seja a arte do encontro, embora haja tanto vento pelo caminho.” (Vinícius de Moraes)
São Luís, 07 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches
Químico, professor, consultor, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.



