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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

UM FALCÃO OBSTINADO

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“Para ver longe, não basta apenas ter asas; é preciso ter a coragem de encarar a tempestade e a lucidez de não se deixar cegar pelas névoas do engano.” (Autor desconhecido)

O falcão é a própria encarnação da vigilância. Do alto de sua montada celestial, ostenta uma visão prodigiosa, capaz de identificar a menor movimentação a quilômetros de distância. Nada escapa ao seu olho clínico, agudo e incisivo; sua postura não é de mero espectador, mas de um observador atento e focado, que aguarda o momento exato para agir com precisão cirúrgica e determinação inabalável. Como este falcão obstinado, o cronista se projeta sobre o cenário de sua terra, recusando-se ao adestramento do silêncio ou à cegueira da complacência.

Lá do alto, o que se divisa no horizonte nacional é um complexo e perigoso tabuleiro de geopolítica, no qual as peças parecem mover-se ao arrepio dos interesses do povo. Diante do olhar altivo do falcão, sobressai a percepção indigesta de uma liderança frequentemente associada à mentira sistemática, à corrupção institucionalizada e a uma agenda ideológica totalitária. Sob esse prisma, assiste-se à erosão paulatina da família como estrutura basilar da sociedade, enquanto vigora uma desobediência constitucional velada, chancelada por uma corte manifestamente parcial. Instala-se, assim, um cerco feroz aos adversários políticos como instrumento de perseguição, silenciamento e aniquilação do contraditório, somado à clara submissão e dependência das parcelas mais vulneráveis por meio de programas de assistencialismo que perpetuam a pobreza em vez de libertar.

Diante desse cenário desconcertante, impõe-se a inevitável reflexão: qual é, afinal, o Brasil que nós queremos para as próximas gerações? Desejamos a perpetuação do assistencialismo que aprisiona ou a construção de uma nação fundamentada na autonomia, na liberdade individual e na meritocracia? Que virtudes dos governantes deveriam servir como reais exemplos para inspirar os cidadãos de bem? A verdadeira liderança não se mede pela retórica fácil ou pelas promessas demagógicas, mas pela integridade moral, pelo respeito inegociável às leis, pela hombridade, pela transparência e pelo compromisso genuíno com a justiça e a verdade.

O amanhã, contudo, não é um destino inevitável ou uma fatalidade passiva; é uma construção deliberada do presente. A reflexão sobre o futuro da nossa nação exige respostas claras: a quê, a quem e como devemos agir? Devemos agir em favor da verdade, da liberdade e da dignidade humana, prestando contas tão somente à nossa consciência e ao bem comum. A ação necessária requer a coragem de não se curvar ao arbítrio, o exercício pleno da cidadania consciente e a denúncia incessante das injustiças.

Por que é preciso acreditar no amanhã? Porque a esperança não é ilusão, mas o combustível da resistência civil. Um povo que abandona a fé no futuro entrega o seu destino aos algozes do presente. O falcão continua a planar, atento e obstinado, lembrando-nos de que a noite pode ser densa, mas o alvorecer sempre pertence àqueles que mantêm a visão altiva e o espírito indomável.

“A liberdade jamais é dada pelo opressor; ela deve ser conquistada pelo oprimido através da coragem e da permanente vigilância.” (Martin Luther King Jr.)

Rosário, 30 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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