Por José Carlos Castro Sanches
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“Quando a vida lhe der um limão, não faça apenas uma limonada; entenda primeiro por que a acidez do fruto assusta aqueles que só buscam o açúcar fácil.” (Elbert Hubbard)
Há uma sabedoria sutil na natureza que o ser humano, por apressada ganância, insiste em ignorar. O açúcar atrai as moscas, adocica o paladar desatento e serve de refúgio para quem busca apenas o consumo imediato e sem esforço. Já o azedo — ah, o azedo, cobra postura. Exige discernimento, maturidade e presença.
Observando o ir e vir das gentes, percebo como o oportunismo se aproxima do afeto como quem procura o mel na colmeia: quer o fruto do trabalho alheio, mas foge das dores e do tempo do cultivo. Já vi bichos em goiaba, na manga e no mamão; nunca vi no limão. A acidez genuína protege o fruto contra quem quer apenas sugar sua substância sem respeitar sua essência.
Não seja doce demais com quem não merece a sua doçura. A generosidade sem filtro deixa de ser virtude e passa a ser ingenuidade.
Quem merece a sua doçura?
A doçura não deve ser distribuída sem critério. Ela é um bem precioso e deve ser reservada para:
Quem acolhe o seu lado azedo: Pessoas que gostam de você por inteiro, inclusive nos dias em que o peso da vida o faz ser mais “limão” do que mel.
Quem soma e cultiva: Quem não se aproxima apenas para “consumir” o que você tem de melhor, mas que também coloca a mão na terra para regar a relação.
Quem demonstra reciprocidade: Doçura para quem oferece respeito, cuidado, presença e transparência.
Cultivar laços verdadeiros requer entender que o afeto sincero não nasce no excesso de açúcar, mas no equilíbrio exato de quem sabe estar junto nas fases doces e respeitar o traço azedo da vida.
“Uma colher de mel atrai mais moscas do que um barril de vinagre, mas nem todas as moscas que vêm ao mel sabem construir a colmeia.” (São Francisco de Sales)
São Luís, 20 de julho de 2026.
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José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
