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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

FÚRIA SEM SALTO

Por José Carlos Castro Sanches

Site:www.falasanches.com

“O talento vence jogos, mas o trabalho em equipe e a inteligência vencem campeonatos.” (Michael Jordan)                                                                  

Como dizia o meu avô paterno, José Alípio Sanches, e outras fontes quando eu perguntava de onde veio esse “Sanches” até chegar em Anajatuba? Alguns sugerem que a origem é portuguesa, outros diziam que devia ter vindo da Espanha e havia até quem achasse que veio do México. Na verdade, o sobrenome carrega uma profunda raiz ibérica enraizada em Portugal e na Espanha, vinda do nome patronímico Sancho — que deriva do latim Sanctius (de sanctus), significando “santo”, “sagrado” ou “aquele que é consagrado a Deus”. Essa semente latina espalhou-se pelo mapa em várias nuances: no espanhol castelhano virou Sánchez; no catalão e valenciano, Sanz, Sanç, Sanchis e Sanchiz; no galego, desdobrou-se entre Sánchez, Sanches e Sánquiz; no asturiano e leonês, Sánchez e Yániz; cruzou fronteiras no italiano (Sancio, Sanci, Santio, Sanzio), no basco (Santxez, Santxo, Santxotena), no francês (Sance, Sancy) e até no inglês adotado. Mas independentemente dessa intrincada teia de origens e grafias, hoje sou espanhol como nunca antes.                                      

Assistir à trajetória desta seleção espanhola nesta Copa do Mundo foi um exercício de redescoberta do que há de mais nobre no futebol. A equipe sagrou-se campeã invicta construindo uma fortaleza intransponível: uma defesa cirúrgica que permitiu apenas um mísero gol ao longo de todo o torneio, aliada a um ataque de transições milimétricas e posse de bola objetiva. Não havia o antigo “toque por tocar”, mas sim uma verticalidade consciente, onde a técnica apurada se curvava à eficiência tática e à disciplina rigorosa.

Por que 16 anos depois daquela histórica primeira estrela em 2010 a Espanha volta a conquistar o bicampeonato mundial? A resposta reside em uma jornada de amadurecimento e renovação que preencheu esse hiato. Sob uma liderança sóbria e profundamente transformadora, a comissão técnica redesenhou a identidade da equipe. Longe dos holofotes da vaidade, essa liderança resgatou a essência do coletivo, integrando jovens promessas e veteranos sob a mesma premissa: o futebol moderno exige sacrifício mútuo, transformando uma seleção desacreditada por muitos na maior referência estética e competitiva do futebol mundial contemporâneo.                                                              

Um título merecido, conquistado com garra, futebol diferenciado, trabalho em equipe sem autopromoção, sem estrelato, com um time que jogou com propósito, foco, técnica apurada, disciplina e uma solidariedade comovente dentro das quatro linhas. Cada jogador corria pelo companheiro, abdicando do brilho individual em prol do escudo no peito. Foi a consagração da simplicidade em sua forma mais sofisticada, uma lição inestimável de que o ego é o maior adversário do sucesso.

Essa epopeia deixa lições profundas que transbordam as linhas do gramado e servem de farol para todas as gerações. Ensina às crianças que o sonho sem disciplina é apenas ilusão; aos jovens, que o foco e o respeito ao grupo superam qualquer vaidade imediatista; aos adultos, que a maturidade exige resiliência diante dos erros do passado; e aos anciãos, a doce confirmação de que os valores universais de união e perseverança continuam sendo o alicerce de qualquer grande conquista da humanidade.

Por fim, que se abra o vinho e que rufem os tambores! Viva a “Fúria” que de furiosa só teve a determinação, pois em campo jogou com a leveza de um corpo de baile e a precisão de um relógio de alta corda. Parabéns aos rapazes que honraram a camisa de forma magistral, fazendo até com que este cronista, perdido em suas dúvidas genealógicas entre Anajatuba, Portugal e México, se sentisse o mais autêntico e orgulhoso dos ibéricos. A final refletiu a caminhada Espanha 1 X 0 Argentina. Viva os campeões mundiais! ¡Enhorabuena, España!

“O segredo do sucesso é a constância do propósito.”(Benjamin Disraeli)

 São Luís, 19 de julho de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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