Por José Carlos Castro Sanches
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Há cinquenta anos lá em Bequimão,
O fado tecia um laço invencível;
A jovem fugia do guardião,
Achando o tenente um ser temível.
Ele vinha fardado, com empáfia,
P’ra compensar o traço pouco belo;
Ela fugia da lábia que desafia,
Buscando o refúgio num castelo.
“Se alguém me buscar, diga à família
Que saí p’ra vizinha de repente!”
Mal sabia a assustada Emília
Que o rapaz de Bequimão era persistente.
Mas o tempo, que é mestre em alquimia,
Fez do soldado o príncipe adorado;
A beleza brotou na calma via,
E o broto esquivo cai no laço dado.
O namoro deu boda em solo sagrado,
São Luís recebeu o lar perfeito;
Três filhos, rico e dourado laço,
Cresceram na sombra do respeito.
A rotina a dois não foi linha reta,
Foi valsa, foi samba e movimento;
Calar quando o outro nos afeta,
É regra de ouro e alento.
O contrato nupcial tem leis mutantes,
Doce cegueira que o tempo confere;
As manias de antes, irritantes,
Viram riso na dor que já não fere.
Casar-se é sorrir de chistes ruidosos,
Velhos jogos que o tempo consagra;
Fingir não ouvir roncos miúdos,
Na noite em que o sono naufraga.
Para os jovens da modernidade,
O casal é um porto e um colo;
Este amor é a pura verdade,
Que sustenta o mundo em seu solo.
Sebastião e Emília, é o amor!
A renovação que ainda resta,
É a prova do eterno esplendor:
Ouro vivo em poesia e festa.
Homenagem de: José Carlos & Socorro Sanches.
São Luís, 16 de julho de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches. Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
