Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

“Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer” (Confúcio)
Há algum tempo quero esclarecer uma dúvida com Pedro Alvares Cabral. Se o encontrasse numa dessas viagens espaciais vagando pelo universo, com a nau transformada em nave e a cruz de Malta piscando no painel como GPS desregulado, eu parava a cápsula, abria a escotilha e perguntaria a ele:
Por que chegaste lá, àquela terra fértil de índio, carnaval e arraial e, povo submisso como nunca vi igual?
Cavaleiro da Ordem de Cristo: Será que dormias quando descobriste o Brasil?
Era isso que querias, o acaso atropelou a capitania, o rumo ou foste traído pela armadilha do destino?
Seja lá o que for, terá valido a pena a descoberta? Ou será que se soubesse da conta – juros, inflação, CPI e taxa de embarque – terias pedido para o vento solar te levar de volta, antes da primeira reunião com a coroa para explicar o prejuízo?
Sancho Tovar, Simão de Miranda de Azevedo, Nicolau Coelho, Aires Gomes da Silva, Nuno Leitão da Cunha, Vasco de Ataíde, Bartolomeu Dias, Diogo Dias, Simão de Pina, Gaspar de Lemos, Luís Pires e Pero de Ataíde, liderados por Pedro Álvares Cabral, naquelas 13 embarcações: Nove naus, três caravelas e uma naveta de mantimentos. Poderiam ter seguido o sol, a lua e as estrelas, movidos por outros ventos, à procura de outras plagas (paragens).

“Quando vemos um gigante, temos primeiro de examinar a posição do sol e observar para termos certeza de que não é a sombra de um pigmeu. ” (Friedrich Novalis)
Estaríamos em situação melhor se não tivéssemos sido colonizados pelos portugueses? Seríamos uma nação próspera, se não fossemos explorados e escravizados por degredados? Não tenho resposta para as minhas dúvidas. O fato é que o Brasil, de povo heroico e gigante pela própria natureza, cambaleia entre rosas e espinhos em busca do desenvolvimento e do progresso movido por interesses ocultos. Tenho fé que o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhará no céu da Pátria amada, idolatrada. Agora retorno ao passado para contar um pouco da nossa história, que reflete o presente e o futuro da nossa nação.
Aquela expedição que contava com 1200 a 1500 homens, que zarparam de Lisboa no dia 9 de março de 1500; seguiu viagem, em 14 de março: cruzaram as Ilhas Canárias; 22 de março: passaram por Cabo Verde; 23 de março: desapareceu a nau de Vasco Ataíde; 29 e 30 de março: adentraram a região de calmaria na zona equatorial; 10 de abril: transitaram a 210 milhas de Fernando de Noronha; 18 de abril: estavam próximos da Baía de Todos os Santos; 21 de abril: avistaram sinais de aproximação de terra e 22 de abril: visualizaram o Monte Pascoal.

O avistamento de terras, que aconteceu no dia 22 de abril de 1500, foi relatado por Pero Vaz de Caminha, escrivão da expedição, da seguinte maneira:

“No dia seguinte [22 de abril] — quarta-feira pela manhã — topamos aves a que os mesmos chamam de fura-buchos. Neste mesmo dia, à hora de vésperas [entre 15h e 18h], avistamos terra! Primeiramente um grande monte, muito alto e redondo; depois outras serras mais baixas, da parte sul em relação ao monte e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Ao monte alto o Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e à terra, Terra de Vera Cruz. ”

Nessa data o navegador Pedro Álvares Cabral tornou-se o primeiro português a desembarcar na costa do Brasil, e o terceiro europeu, após os exploradores espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe. O Brasil estava descoberto, para sempre teríamos uma relação amigável com Portugal, apesar do legado deixado, nem sempre de boas lembranças. Agora é parte da nossa história, que nunca se apagará.

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos. ” (Marcel Proust)
São Luís, 22 de abril de 2021.
Revisado em 22 de abril de 2022.
Revisado em 21 de abril de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS22.04.2021. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.

