Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)
Quando recentemente escrevi o poema “Roupa Nova para o Natal” enquanto assistia ao show “Simplesmente Roupa Nova” da referida banda no Multicenter Sebrae em São Luís do Maranhão. Iniciei a primeira estrofe com os versos: “Vesti a roupa nova para o Natal / Quero ser um anjo, ser criança / Cantar alegre o recital / Levar ao mundo a esperança.”
Dois dias depois ao amanhecer voltei a conectar-me com a ideia para extrair uma mensagem natalina com maior profundidade a partir daquela semente plantada durante aquele belíssimo espetáculo musical. Vestir a roupa nova é uma metáfora que suscita a ideia de renovação, novas perspectivas, crescimento e aperfeiçoamento pessoal e profissional, um olhar diferente e visionário sobre a vida, família, amigos, espiritualidade, negócios, oportunidades…
Portanto, vestir a roupa nova não significa jogar a roupa velha fora, esta deve ser guardada profundamente, não necessariamente nas gavetas das cômodas ou guarda-roupas, mas no coração e na mente. Foram as roupas velhas que nos permitiram chegar até aqui, receberam o suor e os aromas nem sempre agradáveis durante a jornada, desbotaram-se, perderam a cor e às vezes o brilho, sem declinarem da parceria, mesmo diante das adversidades, acreditaram e investiram tudo em nós, mesmo sabendo que no momento oportuno seriam substituídas por outras, elas representam a gratidão que devemos ter pelas pessoas que nos alimentaram, educaram, ajudaram e lapidaram no passeio entre o ventre materno e o presente.
A roupa nova poderá ser representada pelo projeto guardado a anos que será realizado, por um sonho pessoal que torna-se realidade, fazer uma viagem há décadas planejada, realizar um negócio que parecia impossível, reconquistar o amor perdido ou encontrar o parceiro ideal para a vida ou negócio, perdoar-se ou perdoar tornando-o mais leve, realizado e feliz, exercitar e cuidar do corpo e da mente com exercícios regulares, alimentar-se de forma saudável, investir no conhecimento e auto desenvolvimento, ter tempo para o lazer, apreciar a natureza e conviver com a família, e se necessário manter sessões periódicas de psicoterapia e análise – cuidar do corpo e da mente deve ser prioridade.
O mundo precisa de roupa nova para manter-se em contínua evolução, enquanto o homem necessita delas para renovar as expectativas, revolucionar os conceitos e ideias, instigar o espírito de aventura, viver novas emoções e fortalecer a autoestima, tão fortemente depreciada na última década. A vida é renovação, às vezes é necessário fechar ciclos para renascer e manter-se próximo de quem celebra os seus voos.
A experiência e os exemplos nos ensinam que renovar é essencial para a vida. Isso implica transformação, coragem para recomeçar e mudar a mente e o interior. “Trocar de pele”, “renascer das cinzas” e “renovar a mente” são passos para a evolução, destacando que o novo está dentro de nós. A vida é um ciclo constante de recomeços e esperança. Como disse Nietzsche, “queimar na própria chama” é o caminho para renovar. Chico Xavier também exortou: “A árvore aceitou os desígnios da vida que lhe pediam serviço. Mas, quando se acreditou definitivamente despojada, notou que a divina providência a revestiu de folhas e flores novas, ao toque da primavera.”
A lenda da renovação da águia ilustra perfeitamente essa passagem, sendo uma poderosa alegoria sobre autossuperação, coragem para a mudança e renascimento espiritual. Ao envelhecer, por volta dos 40 anos, a águia passa por um doloroso processo de arrancar o bico, as unhas e as penas desgastadas, permitindo que novas e fortes estruturas nasçam, e assim ela possa voar por mais tempo. Esse processo simboliza a necessidade humana de abandonar o velho e se reinventar para crescer, mesmo que isso custe sacrifício e isolamento temporário.
Agora a pergunta é direcionada a você que me lê e reflete sobre o texto acima. Que roupa vestirá para o Natal e a cada dia do novo ano que se aproxima? Seria atrativo continuar vestindo as mesmas roupas? Teria sentido manter os hábitos, atitudes e comportamentos? Está preparado para os novos desafios e oportunidades? Ou prefere o passado como amuleto para manter-se na zona de conforto e continuar fazendo o que sempre fez? É sempre fiel aos seus parceiros? Exercita o perdão e a gratidão para aliviar-se do ressentimento e valorizar as pessoas que o ajudaram a chegar até aqui? Afinal, vale a pena usar uma roupa nova?
“A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam.” (John Stott)
São Luís, 21 de dezembro de 2025.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências e da Academia Vianense de Letras. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.
Autor dos livros: Tríade Sancheana Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Soprol, Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento, Borboletas & Colibris (em parceria); Das Coisas que Vivi na Serra Gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando, O Voo da Fantasia, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar (parceria), Momentos do Cotidiano. Participa de diversas antologias brasileiras.
NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS21.12.2025. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.