Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

“A sabedoria é a arte de ver as coisas como elas são.” (Lao Tsé)
É muito fácil julgar e difícil ter consciência de alguns atos. Sempre que surge um fato novo e relevante na mídia social, nos jornais, rádio, TV…, em que há um suspeito por algo, multiplicam-se os julgamentos e opiniões. A fácil propagação das ideias, informações e notícias pela internet e outros meios, ao mesmo tempo que nos mantém atualizados em tempo real, gera especulação e desinformação sobre tudo, para todos e por todos. Mas, fiquemos atentos para não sermos injustos nas conclusões sem provas. Por trás de cada fato, existem pessoas que podem ser inocentes, sendo sacrificadas por indução da massa, fatores ideológicos, políticos, religiosos, sociais, econômicos, ambientais…

“Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus 7:1)
Enquanto escrevia, lembrei-me de um fato que ocorreu comigo. Eu era professor de uma escola pública estadual e estudante de uma universidade federal, onde trabalhava como faxineiro assalariado, pai idoso de duas filhas. Ao saber que eu era professor, ele me pediu para ajudá-lo a conseguir duas vagas para suas filhas, que estudavam em escola particular, mas não podiam continuar devido aos custos elevados para sua condição econômica. Falei com o diretor da escola e fui prontamente atendido.

“Não julgue um homem por onde ele está, porque você não sabe quão longe ele chegou.” (C.S. Lewis)
Em uma noite chuvosa, ao sair da escola, fui à casa do Sr. Exess uma boa notícia. Cheguei à porta da casa todo molhado, quando, surpreendentemente, ele disse a uma das filhas para trazer uma toalha – enxuguei minha cabeça, braços… Em seguida, disse-lhe que havia conseguido as vagas na escola e que ele deveria providenciar de imediato as matrículas. A alegria era estampada no rosto do pai, da mãe e das filhas – estavam todos muito felizes com a conquista, o que não era para menos
Então, ele me fez uma pergunta que até hoje não esqueci, motivo desta crônica: “Em que posso lhe ajudar?”

“A gratidão é a memória do coração.” (Antoine de Saint-Exupéry)
Eu estava iniciando como professor contratado, tinha uma filha recém-nascida e estava construindo a nossa casa com muita dificuldade. Naquele momento, faltava-me recurso para comprar dois sacos de cimento. Porém, eu sabia que aquele homem simples não tinha condição financeira para me ajudar, ainda que com muita vontade de dizer o que precisava. Fiquei constrangido e disse-lhe que não precisava de nada, mas ele foi insistente, como aqueles homens humildes que vivem na roça e, ao chegarmos às suas casas, nos oferecem o que têm de melhor para comer. Insistiu que aceitasse algo, foi então que disse: “Dois sacos de cimento.”

“Quando você julga os outros, não os define; define a si mesmo.” (Wayne W. Dyer)
Essa decisão me faz pensar até hoje que a precisão faz o ladrão. Enquanto eu sentia vergonha por aceitar dois sacos de cimento por um favor, ele me fazia um presente com o coração. O julgamento sem fundamento é perigoso e pode ser destrutivo, além de destruir reputação.

“Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende, é orelha e não juiz.” (Francisco de Quevedo)
Um outro fato marcante ocorreu quando, certa vez, faltou água no meu apartamento e fui surpreendido sem reserva de água para as necessidades básicas. Desci até a área comum, enchi um pequeno balde com a água restante na caixa e, a partir daquele momento, passei a perceber a importância de não desperdiçar água. Naquele dia, eu escovei os dentes com um minúsculo recipiente para economizar água e tomei ciência do quanto eu abusei em outros momentos, ao deixar a torneira aberta enquanto escovava os dentes, lavava as mãos ou tomava banho. A água é a vida, e a vida é preciosa.

“Quando o poço está seco, nós sabemos o valor da água.” (Benjamin Franklin)
Esta breve reflexão, extraída da vida real, traduz a essência de um poeta que, diante da necessidade, passou a visualizar outras condições que se assemelham em diversos momentos da sua vida e o tornaram um observador cuidadoso no julgamento e um cidadão consciente sobre as questões que envolvem a sobrevivência, seja no ar, no mar ou na terra, da flora e da fauna, no coração e na alma.

Reflexão: As boas lembranças, o resgate da memória, a leitura e a escrita me fizeram perceber que o julgamento é uma ferramenta poderosa que deve ser usada com parcimônia, estrito senso de justiça, respeito e consciência. É fácil julgar, mas é difícil entender as motivações e circunstâncias que levam as pessoas a agirem de determinadas maneiras. A lição aprendida é que devemos sempre buscar entender antes de julgar, e que a empatia e a compaixão são fundamentais para construir uma sociedade mais justa e humana.

“Antes de apontar o erro do outro, talvez valha uma pausa…Às vezes, Deus está só nos convidando a limpar o olhar, o coração e a forma como enxergamos.” (Pensamento popular)
São Luís, 11 de fevereiro de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS11.02.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.
