Por José Carlos Castro Sanches
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“Deixa-te disso criança, deixa de orgulho sossegas, não vês que a vida é um oceano por onde o acaso navega.” (Gonçalves Dias)
Era uma noite radiante de 05 de dezembro de 2025. O palco iluminado da literatura maranhense estava montado no Palácio Cristo Rei – Praça Gonçalves Dias, em São Luís do Maranhão. Ali os protagonistas eram os jovens talentos da Academia Maranhense de Letras Infantil-Juvenil -AMLIJ, fundada em 2023, patroneada pelo ilustre jornalista, escritor, dramaturgo e teatrólogo Viriato Corrêa, cria espaços para a expressão de histórias e poesias dando voz e protagonismo aos jovens escritores e fortalecendo a literatura, a arte e a cultura do Maranhão.
O brilho, a alegria, o entusiasmo e o orgulho se intensificaram a cada pronunciamento. Os pequenos e ilustres acadêmicos traziam lume a beleza da literatura na verve poética e vigor da juventude extasiada pelo fervor do momento. Era como se Camões, reescrevesse os lusíadas, Gonçalves Dias, a ‘Canção do Exílio’, Viriato Corrêa, seu livro infantil ‘Cazuza’, Josué Montello, ‘Os tambores de São Luís’, João Chiador, cantando “Pode estourar foguetes”, Humberto de Maracanã, ‘Maranhão, Meu Tesouro, Meu Torrão’, Donato Alves com a ‘Bela Mocidade’, Osvaldo Preto e a ‘Rosa Amarela’ juntos orquestras e matracas uníssonos reverberavam a voz, o verbo, a harmonia e a sintonia numa bela sinfonia conduzida com louvor pela Maestrina Sharlene Serra, que com sua batuta dava o tom à talentosa orquestra literária juvenil.
“A maioria dos homens deixa-se vencer pela vida.” E a “A felicidade não é nascer Príncipe de Gales; a felicidade é ser hábil na escolha de uma grande época para nascer.” (Viriato Corrêa)
Eu estava embriagado pela sensibilidade literária e artística, inebriado naquele ambiente festivo e abduzido pela magia que vicejava naquele espaço mágico e transcendente onde a volúpia e a inspiração silenciosa flutuavam como as nuvens do céu, ao tempo que as estrelas reluziam intensamente cada uma com o seu próprio brilho, e juntas emolduravam a constelação.
Como representante oficial da Academia Literária do Maranhão (ALMA), e por delegação dos demais prestigiados sodalícios que orgulhosamente participo, sentia-me ora como um colibri sugando o precioso néctar de uma flor, ora como uma borboleta a voar livremente pelo jardim florido, em outros momentos como os pássaros a cantarem nos ninhos. Mas, tudo que tinha era apenas a alma de uma criança sorridente e feliz encantada com o esplendor literário de uma juventude talentosa e inspiradora, eu estava em delírio poético, abismado com tudo que se passava aos meus olhos. Era tudo poesia! Aqueles jovens diziam com poucas palavras, às vezes com pequenos gestos, o que não serei capaz de expressar nestas breves linhas.
“Que dias há que na alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê” (Luis Vaz de Camões, do soneto “Que dias há que na alma me tem posto”)
Segue o que os jovens acadêmicos disseram em breves palavras, durante seus pronunciamentos carregados de emoção e gratidão:
A acadêmica Ana Vitória fez a abertura do evento com a declamação de um Cordel. Seguida de outros acadêmicos que usaram a tribuna de honra.
Qualquer um pode ser o protagonista da sua própria história. A hora é agora e não podemos esperar o amanhã. Agradeço a Sharlene Serra por acreditar no poder da nossa escrita. A nossa maior arma é o lápis e o papel. Quando a comunidade acredita e investe, as sementes crescem e se fortalecem. (Emily)
Sou semente que germina em terra fértil. Gratidão por fazer parte da academia. Que este lugar: a casa de Viriato Corrêa seja abrigo para as palavras que ainda iremos descobrir. (William)
Se crescemos em palavras é porque vocês foram solos férteis e nos permitiram existir, vocês são os guardiões… nenhuma semente floresce sozinha. A todos os pais nossa profunda gratidão. (Isabele)
Com a postura de um orador sou um poeta em ascensão. Hoje digo a todos que sou além, nunca me imaginei aqui… um título consagrado por tudo que amo. Fui inspirado por Emily Caroline. (Novo acadêmico – incluir o nome)
Agradeço à minha família e à presidente da Academia Sharlene Serra. Um tributo especial à minha professora e avó, foi com ela que criei esse amor incondicional à literatura e me descobri como escritora. Quero produzir textos que inspirem e emocionem, carrego com orgulho e compromisso a oportunidade de participar dessa academia. Vou fazer valer a pena cada palavra, cada incentivo. (Nova acadêmica – Incluir o nome dela)
A jornada não é fácil, mas se você gosta e ama o que está fazendo não desista, vamos aprender juntos. (Luzia Azevedo)
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.” (Gonçalves Dias)
Os líderes da AMLIJ, também deixaram mensagens de incentivo e reconhecimento aos jovens acadêmicos:
O escritor Netinho Costa, iniciou a fala em nome das lideranças destacando o primeiro aniversário da academia, a história e o patrono Viriato Corrêa, Josué Montello e enfatizou também a importância da instituição para o fomento da literatura, arte e cultura maranhense.
Hoje sinto satisfação pelo trabalho realizado pelos jovens acadêmicos que ocupam lugar de destaque na agenda literária do Maranhão (César Brito).
O Prof., Chocolate representando a Profa. Zefinha Bentivi, pró-reitora da UFMA, reforçou a importância da AMLIJ para a sociedade maranhense e a satisfação de fazer parte de um momento tão importante para os jovens acadêmicos, familiares e para a literatura, arte e cultura do Maranhão.
Uma salva de palmas para as estrelas da academia. Crianças e jovens produção literária. Toda voz precisa ser ouvida, a juventude é, protagonista e constrói o presente com liberdade criativa. A AMLIJ existe porque a infância e a juventude precisam ser celebradas e reconhecidas. Uma semente, um legado e uma promessa para manter a literatura viva e plural. parabéns a todos acadêmicos, familiares e presentes. (Sharlene Serra)
A apresentação dos novos acadêmicos foi um show à parte:
Samuel, venha para cá é a sua vez de brilhar. Ele é um garoto com talento muito evoluído na escrita e no desenho, foi aluno da Escola Pública na Cidade Operária. (Prof. Neuza)
Sofia, com apenas 10 anos de vida já se aventura na escrita, escreveu ‘Casa Sorridente’ em parceria com sua mãe, sonha ser bailarina, escritora e médica (Adriana de Jesus)
Em seguida duas acadêmicas receberam comendas por destacada atuação em 2025: Certificado de Mérito Literário do Ano – por representar a AMLIJ, em diversas ocasiões e eventos literários. (Emily); Destaque pela grande habilidade em ministrar palestras. (Maria Eduarda). Como disse (Josué Montello: “O homem só morre quando se entrega.”
Era o momento do juramento dos quatro novos membros que tomaram posse naquela data festiva, eram dois homens e duas mulheres de imensurável talento literário que assumiam e declaravam publicamente: “…irei explorar mundos infinitos através da escrita… com humildade prometo ouvir a orientação dos amigos e a colaboração entre todos… espalhar a magia das palavras em cada canto do nosso Maranhão e do mundo… Assim, prometo!”
Em seguida um momento especial dedicado aos pais e responsáveis com entrega de certificados pela presidente do sodalício Sharlene Serra, a emoção tomava conta de todos, orgulhosos pelo sucesso dos rebentos e extremamente gratos pela oportunidade de vê-los prosperar no conhecimento e voarem como águias pela imensidão do universo, livres para propagarem a literatura além-mares e influenciando as presentes e futuras gerações. Eles são exemplos a serem seguidos, lições de vida e inspiração para todos nós. “As cousas árduas e lustrosas se alcançam com trabalho e com fadiga.” (Luís Vaz de Camões – Os Lusíadas -1572).
Por fim foram entregues Medalhas de Mérito Literário a todos os membros efetivos da AMLIJ. E felizes cantaram os parabéns pela data festiva de posse dos novos membros e cortaram o bolo que continha a inscrição com o nome de cada acadêmico. Eu também comi um pedaço do bolo e docinhos saborosos, que se aliavam perfeitamente à festa literária protagonizada pelos anfitriões numa noite ímpar, gloriosa e espetacular de grande significado para a literatura maranhense.
Devemos agradecer a Deus pela dádiva da vida e inspirar-nos na paixão e dedicação desses jovens talentos. Que a literatura continue a ser a chama que ilumina o caminho do conhecimento, da criatividade e da transformação. Aos jovens, um convite: sigam em frente, escrevam, leiam, sonhem e façam da literatura a sua paixão. O Maranhão precisa de vocês!
“Quando eu me lembro,
Da minha bela mocidade.
Eu tinha tudo a vontade,
Brincando no boi de Axixá.
Eu ficava com você,
Naquela praia ensolarada,
E a tua pele bronzeada,
Eu começava a contemplar.” (Bela Mocidade – Bumba-meu-boi de Axixá)
São Luís, 05 de dezembro de 2025.
José Carlos Castro Sanches
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.
Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.
NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS05.12.2025. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.