Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

Vivendo experiências extraordinárias juntamente com a minha família chegamos no outro lado da margem do rio Paraná na Ciudad del Este no Paraguai. Cá está um poeta sonhador transbordando de alegria.

Pela Ponte da Amizade passa a agulha e o elefante, o justo e o pecador, o poeta e o trovador, o mendigo e o doutor, a sombra e a luz, a realidade e a fantasia, o legalizado e o contrabando, o cordeiro e o diabo, confecções, brinquedos, utensílios domésticos, bijuterias, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e outras mercadorias.
Tudo é festa na travessia até a chegada na delegacia. Quem passa despercebido é um privilegiado – faz pena quando são detidos os objetos não legalizados – mas dizem que alguns barcos facilitam o traslado daqueles que na ilegalidade sofrem para ganhar um trocado. Dizem as más línguas que no Brasil e Paraguai existe um forte esquema de pessoas mal-intencionadas que vivem traficando mesmo sendo marginalizadas. Por isso eu sempre digo não siga o mal caminho se deseja ser bem-sucedido, apenas com ética, integridade, honestidade e responsabilidade você deixará um grande legado e nunca precisará dormir ao lado de um delegado.

O passeio foi muito agradável, apesar do dólar escasso e do real desvalorizado, num dia de sol memorável. Comprei meia dúzia de meias, um calção e um par de sapatos; a minha esposa Socorro Sanches comprou um perfume cheiroso para ficar ao meu lado e um doce de leite para adoçar o amado; minha filha Danielle comprou brinquedos para os filhos Leonardo Davi e Amelie Sara: boneca e dinossauro e, malas para carregar as bagagens depois de gastar o último centavo; meu genro Pablo Leonardo comprou bermudas e camisetas de tactel, gastou todo dinheiro, ficou liso tal quiabo, fez a festa e alegrou a dona da banca paraguaia.

Fiz uma longa caminhada, comi nada, bebi café e água. Andei pelas ruas e lojas com a mulher, filha, genro e netos. Léo e Lie estavam sempre comportados parece que para a viagem foram muito bem treinados.
Eram tantas novidades e distraídos esquecemos que tínhamos hora marcada para o retorno no estacionamento do Shopping Americano, seu Padilha, motorista brasileiro nos esperava, mas chegamos atrasados, o bicho ficou zangado, só sorriu depois de um agrado.
Na volta para o Brasil, a fila de carros era longa, sacoleiros, muambeiros, pedestres e automobilistas, chegavam alegres ao nosso país até serem fiscalizados.
Naquele momento de aflição, não tem amigo nem irmão. O choro do humilhado reflete a disparidade entre o patrão e o empregado, o afortunado e o coitado, o profano e o sagrado.

De volta à cidade de Foz do Iguaçu. Estávamos felizes, porque não cometemos deslizes. Ficaram as boas lembranças e uma gota de esperança de que a ponte construída entre o Brasil e o Paraguai algum dia possa ser usada – caso seja concluída a estrada iniciada no governo anterior e pelo atual desprezada.
No presente fortalecemos a amizade do brasileiro com o paraguaio, futuramente sentiremos saudade. Viva a fraternidade, o amor, a paz e a liberdade!

Ciudad del Este, 22 de janeiro de 2024.
José Carlos Castro Sanches.
Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. É químico, professor, escritor, cronista, contista, poeta e trovador brasileiro.
Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras Artes e Ciências e da Academia Vianense de Letras. Membro da Federação das Academias de Letras do Maranhão; da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da União Brasileira de Escritores e da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Tem a literatura como hobby. Acredita que: Escrever é um ato de liberdade!

Autor dos livros: Colheita Peregrina, Tenho Pressa e A Jangada Passou; No Fluir das Horas é tempo de ler e escrever, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô; Pétalas ao Vento; Borboletas & Colibris (em parceria); Das Coisas que Vivi na Serra Gaúcha, Divagando na Fantasia em Orlando; Me Leva na Mala. Além da participação em diversas Antologias brasileiras. Escreve diariamente no site falasanches.com.
