Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.” (Provérbios 17:17)

Um pássaro nunca faz seu ninho em uma árvore seca. Às vezes dói dizer a verdade, por isso de vez em quando precisamos sacudir os galhos secos das amizades para caírem os frutos podres. Do contrário viveremos a eterna busca de amigos que não correspondem com as nossas expectativas, tampouco damos a eles o merecido carinho e atenção. Aqui faço uma pausa e advertência para reflexão do leitor: Eu estou sendo amigo o suficiente para receber em troca uma amizade verdadeira? Sócrates com extrema sabedoria disse: “Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.”

Lembro-me dos meus amigos de infância, quando a amizade era construída pela convivência não pela cor da pele, condição financeira, status, bens materiais, interesses particulares… simplesmente queríamos estar juntos e compartilhar as alegrias, brincar, correr, pular, cair e levantar… ainda hoje ao reencontrá-los parece que volto a ser criança. Como disse Mario Quintana: “A amizade é um amor que nunca morre.”

Eu estou à procura de um amigo de verdade, daquele que permita o crescimento da amizade com o passar do tempo; que a distância fortaleça a afinidade e a afeição permaneça na eternidade. Talvez eu esteja vivendo uma utopia ao imaginar que isso seja possível, mas continuarei fazendo a minha parte.

Percebo que a realidade difere dessa premissa, considerando que tenho sido mais cordial com os amigos do que eles comigo; alguns só me reconhecem quando posso ser útil ou fazer algo por eles; a iniciativa para os encontros, datas especiais e reconhecimento geralmente partem de mim, raramente deles; habitualmente eu os visito, dificilmente recebo uma visita; os convites para almoço, jantar, café, quase sempre são iniciativas minhas que os recebo com carinho e atenção, raríssimas vezes sou convidado; as lembranças de Natal, Ano Novo, comumente sou eu quem oferto, nada recebo; os telefonemas normalmente partem de mim para saudá-los, conversar e desejar-lhes um bom dia; poucos retribuem a gentileza; as mensagens e publicações diárias pelas redes sociais: WhatsApp, Facebook, Instagram, LinkedIn, e-mail , falasanches.com e outras mídias, normalmente são endereçadas por mim, poucos agradecem; a desculpa para o distanciamento e ausência é frequentemente a mesma: cada um cria a sua. O que descrevi não deve ser novidade, é provável que você tenha vivido experiências análogas.

Que a amizade verdadeira e sincera é coisa rara e precisa ser cultivada eu não tenho dúvida. A dúvida que persiste é se de verdade eu tenho amigos em quem possa confiar. Todavia, tenho convicção de que a amizade verdadeira quando cultivada desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplica a alegria e divide a dor e quem sabe usá-la com reciprocidade viverá mais feliz. “A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro”, como descreveu Platão.

Apesar do desapontamento eu não quero perder a oportunidade de manter a proximidade com aqueles que dizem ser meus amigos, sem nada realizarem de concreto para nivelar a balança desequilibrada da “amizade”, que só pende para um lado. Talvez eu os tenha considerado amigos, sem que estes assim me reconheçam. Aqui uma incógnita para a qual não tenho resposta imediata, quem sabe o tempo elucide a minha dúvida.

Da forma que se apresenta, a balança só pende para o lado do interesse e satisfação pessoal ou profissional; do desejo utópico de aparentar amizade; da dolorosa e frustrante fantasia do relacionamento amigável; da individualidade; do egocentrismo; do narcisismo e outras futilidades.

Muitas vezes me surpreendo com aqueles dos quais nada espero; por não os ter como amigos, ao agirem com benevolência, solidariedade e empatia, diferentemente dos que se dizem amigos. Ralph Waldo Emerson, traduz com precisão o que penso a esse respeito: “Um amigo é uma pessoa com a qual posso ser sincero. Diante dele posso pensar em voz alta.”

Que amigos são esses afinal? São amigos de verdade ou eu tenho apenas a ilusão de tê-los?

Se você está à procura de um amigo. Eu estou aqui, disponível para amizade verdadeira. Não sou rico; não tenho dinheiro, nem posses; não sou político; não ofereço empregos, nem cargos. Sou apenas um químico, professor, consultor, escritor, cronista, contista, trovador e poeta sonhador. Trabalhador, assalariado, honesto, responsável, integro, ético, respeitoso, sincero e realista. Casado, pai de quatro filhos, tenho cinco netos; quinze livros publicados; o coração transbordando de amor; feliz pelas conquistas, fruto do trabalho diligente; dedicado a cumprir a minha missão com galhardia, fé e sabedoria. Apenas quero ser um amigo e ter a sua amizade sincera. Francis Bacon deve ter experimentado a desilusão da amizade ao dizer: “Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.”

A glória da amizade é a inspiração divina que vem quando descubro que alguém acredita e confia em mim. “A verdadeira amizade tem muitas vírgulas, mas nunca um ponto final.”

Você se identificou com o tema abordado? É utopia ou realidade? Como vai a sua amizade?

“Há quatro espécies de amigos que o são sinceramente: o que ajuda, o que permanece igual na prosperidade e no infortúnio, o que dá um bom conselho e o que tem uma simpatia real por nós. ” (Digha-Nikaya)

São Luís, 20 de julho de 2024.
José Carlos Castro Sanches. É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras Artes e Academia Vianense de Letras. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento, Borboletas & Colibris (em parceria); Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala e Divagando na Fantasia em Orlando. Participa de antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS20.07.2024. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.






Maria do Socorro Sanches
20 de julho de 2024 at 17:22
Infelizmente hj está uma raridade termos amigos verdadeiros! Cada um com o ego mais forte do que outro! Nesse sentido é melhor não desenvolver amizades verdadeiras!
sanches
17 de dezembro de 2024 at 20:39
Ainda vale a pena a busca de amizades verdadeiras. Apesar de raras são sempre bem-vindas. Eu estarei sempre aberto a novas amizades.