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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

ALCÂNTARA: A BELA ADORMECIDA

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

Ei, Alcântara, símbolo de poder e resistência, te vejo de longe… Entre a ilha de Upaon-Açu e tuas ruínas… Surge o mar, ondas e um boqueirão. Entre o passado e o presente, a tradição…

Indago ao Criador por ter frustrado o teu sonho. O Imperador nunca chegou, nem chegará… É tolice acreditar que tuas festas são vãs. Que tua herança seja apenas as pedras, as ruínas, o pelourinho, o açoite, o tambor e o espírito santo.

A tua história se confunde com o tempo… Hoje és reflexo de um espelho que viu ascender a iluminada urbe, agora és paisagem urbana, demolida, depreciada, admirável passatempo de turistas, com a face enrugada, de um sono maldormido, do cansaço, da pintura, da arte, da cultura, da religiosidade, um eco que vai além do mar e das estrelas.

A lua que balança as marés, o calor intenso e o sol escaldante que queima a tez risonha e triste do teu povo humilde trabalhador, escravo da tua memória. Construíram em ti uma fortaleza, casarões, igrejas, paredes, telhados, eiras e beiras.

Fizeram de ti um museu a céu aberto, entre o céu e o mar aberto. Os santos, os pretos, os brancos, a melancolia, o pranto e o canto. Tudo que foi um sonho agora é encanto… portanto… enquanto… O barco, o remo, a água, o homem e o remanso… Seguem a triste sina de um passado de glória rendida à utopia interplanetária…

Um paradoxo entre ruínas e foguetes… Pretérito e presente… O império e a república… O Pelourinho e a liberdade… A vela e o motor… A saudade e a esperança…

Assim te vejo como uma bela adormecida sobre os escombros… Corroída pela acidez do tempo, destruída pela insensatez humana… Clareira e lume, soluço e espinho, luz e negridão…

Se uma pequena centelha de luz te lustra ao reflexo da pedra polida juntada à pedra ocre opaca, aos portais, monumentos históricos, igrejas, santos, portas, janelas, azulejos, calçadas, ruas… O que posso dizer de ti senão que te vejo como uma bela donzela nua, que se tornou sombra da realidade crua.

Quando te vir novamente Alcântara, decantada em verso do saudoso poeta que reside nos teus alicerces e paredes de pedra dura, empoderada e silenciosa, quero ver-te mais amada, cuidada e florida como os bosques do paraíso imaculado do divino espírito santo com a sua linda imperatriz a desfilar pela passarela do tempo, como se fosse eterna sempre bela ainda que tardia.

Alcântara, aí de ti se fugires da minha memória, e confundires o meu pensar de poeta, levando-me a esquecer da tua brilhante história de outrora. Se eu pudesse voltar no tempo, te faria novamente sonhadora, vibrante, cheia de pompa, riqueza e nobreza para receber o imperador. Parece-me que a espera por quem sonhava te fazia melhor que a frustração da inconclusa lembrança do visitante ilustre que nunca chegou.

Quem te viu, quem te vê! Eu fui a ti, apreciei tua história, teu passado de glória, te vi com um olhar de poeta peregrino e te louvo neste poema. É tudo que posso te dar Alcântara.

O poeta só tem amor, saudade, esperança e lembrança. Te verei depois do novo amanhecer, com visão de águia e sensibilidade de um poeta que não dorme e sonha acordado… E em meio às ruínas, florescerão jardins, e as pedras se tornarão monumentos de glória, e o mar se tornará um espelho de prata, refletindo a beleza da eterna Alcântara.

São Luís, 30 de novembro de 2025.

José Carlos Castro Sanches

É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS30.11.2025. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.

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