Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

“A ganância é um abismo sem fundo.” (Warren Buffett)
Eu sempre tive dificuldade para comprar roupas de grife, sapatos caros, frequentar restaurantes e boates de luxo. Sou refratário a tudo em que vejo excesso de valorização e desconexão com a realidade, especialmente quando me sinto lesado ou percebo alguém agindo de má fé para levar vantagem.
Nessa perspectiva considero que muito do que consumimos não vale o que pagamos, enquanto objetos de valor produzidos por artesãos, pintores, agricultores e os livros que escrevemos quase nada valem.
Essa distorção é visível nas lojas de grifes, salões de beleza, leilões de peças raras, restaurantes chiques, entre outras vaidades. O homem que se diz inteligente ainda se encanta com essas superficialidades e, diante da emoção ou insanidade, perde o senso de valor e a capacidade de discernimento. Quantas vezes somos levados a fazer coisas que não podemos, gastamos além do que temos e sofremos endividados na ilusão da riqueza. Talvez seja fuga da realidade ou passatempo fantasioso para alimentar a utopia da vaidade e riqueza.
Mas nada ocorre por acaso, tudo tem sentido, nem sempre explícito, que buscamos justificar no passado, presente ou futuro.

O termo histórico e mais famoso para descrever a perda completa de noção de valor, especificamente ao trocar ativos de alto valor por flores, é Tulipomania (ou Mania das Tulipas). Esse evento ocorreu na Holanda no século XVII, quando bulbos de tulipas raras se tornaram objetos de especulação extrema, atingindo preços equivalentes a mansões antes da “bolha” estourar.
Parece que flutuamos na onda dos conceitos relacionados à perda de valor: Bolha Especulativa, quando o preço de um ativo sobe muito além do seu valor intrínseco devido à euforia e especulação; Oniomania, termo técnico para compulsão por compras; e Efeito do “Grande Tolo”, crença de que sempre haverá alguém mais tolo para comprar por um preço ainda maior.

O exemplo que segue demonstra como a especulação e a incapacidade de perceber a noção de valor é predatória:
“1634. Amsterdã, Holanda. A Holanda era a nação mais rica do mundo. O comércio global trazia ouro, especiarias e… tulipas. As flores viraram símbolo máximo de status. Especialmente as “flamejantes”, com padrões raros causados por um vírus desconhecido na época. Admiração virou obsessão. Obsessão virou loucura financeira.
Em 1636, a febre atingiu o pico. As pessoas não compravam mais tulipas para plantar, compravam contratos, promessas, direitos de receber bulbos no futuro. Nascia a especulação moderna. Um único bulbo chegou a valer 12 acres de terra, 15 anos de salário de um artesão ou uma casa de canal em Amsterdã.
Marinheiros, donas de casa e sapateiros venderam tudo para entrar no jogo. O preço subia por um único motivo: todos acreditavam que sempre existiria alguém mais otimista para pagar mais caro. Até que, em fevereiro de 1637, num leilão em Haarlem, algo simples aconteceu. Um comprador não apareceu. Depois outro. Em minutos, o pânico se espalhou. O preço não caiu, ele evaporou.
O que valia uma fortuna numa terça-feira, na quinta não comprava um saco de cebolas. Milhares perderam tudo. A economia holandesa entrou em choque.
As lições para investidores e negócios: Valor não é preço. Preço é o que você paga. Valor é o que você recebe. A teoria do “mais tolo” sempre acaba. O comportamento humano não mudou. Tulipas ontem, ponto com em 2000, imóveis em 2008, cripto e hype tech hoje. Quando dinheiro fácil aparece em algo que não produz nada, o fim costuma estar perto. A ganância é cega, mas o mercado sempre volta a enxergar.”
Reflexões e lições aprendidas: a ganância pode levar a perdas irreparáveis; o valor real de algo é o que ele realmente vale, não o que alguém está disposto a pagar; e o mercado sempre volta a enxergar a realidade. É importante manter os pés no chão e não se deixar levar pela euforia especulativa.

“A única coisa que sabemos sobre o futuro é que será diferente do presente.” (Peter Drucker)
São Luís, 28 de janeiro de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

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