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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

NO FLUIR DAS HORAS É TEMPO DE LER E ESCREVER COM JOSÉ NERES

Por José Carlos Castro Sanches

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.” (Carlos Drummond de Andrade)

José Neres é Membro Efetivo da Academia Maranhense de Letras – AML, ocupante da Cadeira 36, patroneada por Tasso Fragoso.

Numa manhã ensolarada de sábado, 19 de janeiro de 2019, após ministrar um treinamento de Percepção de Risco – Técnica F.A.L.A.A.D e Papel do Líder, para Lideranças da Empresa FIDENS no canteiro de obras da construção do lago de resíduos de bauxita No 7 da Alumar. Tive o privilégio do primeiro encontro com o ilustre poeta e escritor José Neres, na Livraria Tempo de Ler, do Shopping Rio Anil, na bela ilha do amor. 

“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.” (Jorge Luís Borges)

Há alguns meses cogitava encontrá-lo, porém, os telefones deixados de lado, pelo pouco interesse do mestre com as falas, evitando as preocupações decorrentes das demandas externas, que poderiam abalar a sua criativa verve literária e distanciá-lo do que mais interessa ao poeta: o sossego. A distração dos meios de comunicação falados, escritos ou visuais tiram a concentração e afastam dos sábios, a meditação.

“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre.” (Charlie Chaplin)

O que me fazia procurá-lo a esmo, ainda que sem sucesso era o desejo de tê-lo como prefaciador do mais novo livro que escrevo, denominado: “No Fluir da Horas”, como sugestão do ilustre escritor e poeta José Fernandes.

“Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi.” (Mário de Andrade)

Aqui abro um parêntese, não sei porquê das coincidências. A primeira pela data 19.01.19, um número enigmático, que certamente não se repetirá, ao tirar os noves, seguem-se 1.1.1, que somados dará como resultado 3; a segunda diz respeito ao José, que antecede (Carlos, Fernandes, Neres e Viegas), as três pessoas que me ajudam na missão de publicar os livros têm o mesmo primeiro nome que eu; a terceira, o aleatório encontro de escritores e poetas que se juntam na nobre missão de difundir o conhecimento mundo afora. Soletrando verbos, construindo sonetos, explodindo metáforas e irradiando literatura; e, por fim o quarto motivo: o primeiro encontro com José Neres, numa livraria de nome “Tempo de Ler”, que me inspirou a escrever esta crônica. Nada ocorre por acaso!

Ali naquele ambiente agradável, daquela praça de alimentação, numa mesa de quatro cadeiras, ocupamos duas eu e o ilustre José Neres. Contei-lhe um pouco da minha história, origem, anseios pessoais e profissionais, da minha vocação para a escrita desde tenra idade, dos livros que escrevi (tirei da mochila oito deles, encadernados, para mostrá-lo), também falei da família, de amigos, hobbies, trabalho e das pessoas que me ajudam a continuar avançando, das dificuldades, do prazer de ler e escrever que me faz passar a noite brincando com as palavras, criando rimas, versando prosas, vertendo crônicas, enfeitando parágrafos, comendo virgulas, esquecendo pontos, excedendo nas exclamações, poupando as interrogações, postergando as concordâncias, usando e abusando dos vocábulos.

Enquanto ele como bom ouvinte, observava atentamente a minha explanação e vez por outra fazia algumas considerações. 

“Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder.” (Rubem Alves)

Deixei que o nobre beletrista pudesse contar-me um pouco da sua experiência – iniciou a narrativa dizendo-se andarilho, desnorteado com as mudanças que a vida lhe proporcionou. De São José de Ribamar, onde nasceu a Goiás, Brasília, por onde passou, até retornar a São Luís, num extenso acolher de experiências que hoje faz dele um homem das letras com a sapiência dos sábios.

“A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo.” (Joseph Addison)

Contou-me que enquanto as crianças de hoje, nas escolas aprendem a gramática, a divisão de sílabas e a tabuada; ele na sua infância lia Machado de Assis, José de Alencar, Cora Coralina, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Aluísio Azevedo, Coelho Neto, entre outros, o que o fez tomar gosto pela literatura, e tornar-se poeta e escritor. 

“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.” (Mario Quintana)

Tudo isso dito com uma simplicidade e humildade invejável. Os tolos se exaltam, quem tem sabedoria e discernimento sobre o que vale a pena na vida, se retrai e deixa que as suas qualidades sejam percebidas, muitas vezes, sem sequer dizer uma palavra. 

“O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes.” (Cora Coralina)

Presenteou-me com o livro de sua autoria: “Na Trilha das Palavras: estudos literários”, uma coletânea composta por 12 (doze) artigos publicados em jornais, suplementos culturais, livros, anais de congressos e revistas cientificas, relacionados à literatura maranhense. Neste livro também encontram-se estudos sobre Sotero dos Reis, Catulo da Paixão Cearense, José Chagas, Ronaldo Costa Fernandes, Roberto Kenard, Sonia Almeida, Eva Chatel, Luis Augusto Cassas e Ferreira Gullar, entre outros. 

“De um autor inglês do saudoso século XIX: O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente.” (Mario Quintana)

Simpático e agradável no trato, logo estava falando do parto da sua avó, quando a parteira numa ação impetuosa, encravou as unhas no olho da sua bela mãe, que a partir do nascimento perdera a visão do olho esquerdo. Nada disso o impedira de ser uma mulher virtuosa e trabalhadora que ainda no sofrimento e pouca fortuna assegurava aos filhos o alimento, consolo e educação, naquela terra onde nada se obtinha com facilidade, por advir de poucas benesses e um fardo pesado a carregar. Afinal os filhos não pediram para nascer. 

Filho de pai negro e mãe branca – assemelhou-se à mãe na tonalidade da pele, diferindo das irmãs que herdaram do pai o tom de pele escuro.

A mãe seguiu para junto do pai eterno aos 34 anos, ainda distante da idade que esperava perdê-la, na velhice. O pai também a acompanhou anos depois. 

O andarilho seguiu o caminho da literatura, cursou Letras Português e Espanhol(UFMA), Especializou-se em Literatura Brasileira (PUC-MG), Pedagogia Empresarial e Educação Corporativa (Uninter), Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Espanhola (UCAM), Mestrado em Educação (UCB), Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional (Uniderp). 

Atualmente é Professor de língua (portuguesa e espanhola) e Literatura (brasileira, espanhola, hispano-americana e maranhense), pesquisador, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras, cadeira 36; membro-correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes; membro-convidado da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).

“A leitura traz ao homem plenitude, o discurso segurança e a escrita precisão.” (Francis Bacon)

De sua autoria destacam-se as poesias – Negra Rosa e Outros poemas; Poemas de Desamor e Sonetos. No Teatro – A Mulher de Potifar e O Último desejo de Catarina. Contos – 50 Pequenas Traições; Restos de Vidas Perdidas e Sombras na Escuridão. Estudos Literários – Na Trilha das Palavras. Estudos sobre Educação – Estratégias para Matar um Leitor em Formação; Lousa Rabiscada e Em Tempos de Twitte.

“A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para fazer um só livro.” (Samuel Johnson)

Com este rico arcabouço de conhecimento, e alta sensibilidade para a arte de escrever o ilustre escritor deve orgulhar-se das suas conquistas e inspira este que vos escreve a seguir firme com o propósito, de em breve, ocupar uma cadeira na AML. 

“Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra.” (Margaret Atwood)

Querido José Neres, minha estimada admiração, em tão pouco tempo de convívio, inspirei-me a escrever esta crônica, que dediquei a você, para que permaneça firme e determinado rumo aos seus objetivos e possa continuar enaltecendo a literatura maranhense com tão elevado estoque de prudência, sabedoria, humildade e inteligência, através dos seus artigos, ensaios, crônicas, poesias, livros… Afinal: No Fluir das Horas É Tempo de Ler e Escrever!

“A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” (André Maurois)

Continue a sua caminhada como andarilho tupiniquim, pensando, lendo e escrevendo, distribuindo literatura, pulsando poesia, trilhando contos, tocando prosas, soltando letras e comendo livros na terra morena de Gonçalves Dias. 

A nossa conversa e amizade foi tão promissora que o escolhi para prefaciar o livro que dá nome a esta crônica: ” No Fluir das Horas é tempo de ler e escrever. ”

“O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler.” (Mark Twain)

São Luís, 19 de janeiro de 2019.

José Carlos Castro Sanches

É químico, professor, escritor, cronista e poeta maranhense.

Membro Efetivo da Academia Luminense de Letras – ALPL

Autor dos livros: Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; No Fluir das Horas é tempo de ler e escrever, A Vida é um Sopro, Gotas de Esperança e outros nove livros inéditos.

Visite o site: falasanches.com e a página Fala, Sanches (Facebook) e conheça o nosso trabalho como escritor, cronista e poeta.

Adquira os Livros da Tríade Sancheana, composta pelos livros: Colheita Peregrina, Tenho Pressa e A Jangada Passou, na Livraria AMEI do São Luís Shopping ou através do acesso à loja online www.ameilivraria.com.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS19.01.2019. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual amparado pela lei nº 9.610/98 que confere ao autor Direitos patrimoniais e morais da sua obra.


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