“Ainda que o dia ameace desabar com chuvas e trovoadas… Ao fim do dia ainda pode se fazer presente um esfuziante arco-íris a sua frente.” (Mirna Rosa)
Em 26 de março fico mais experiente e completo a passagem por 56 chuvas de março. Nesta data me associo a AMEI – Associação Maranhense dos Escritores Independentes, dando-me este presente como oportunidade para avançar na missão de escritor e compartilhar experiências e lições aprendidas. Agradeço aos meus queridos leitores pelo forte incentivo.
Entre uma gota e a chuva passam por mim raios, ventos e tempestades. E eu resisto de pé. Obrigado Senhor por mais um ano de vida. Viva a vida!
“É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no meu coração.” (Tom Jobim)
Enquanto aguardava a chuva passar para chegar à barbearia onde corto os meus escassos cabelos.
Estava ilhado sem poder sair do veículo numa rua alagada escrevendo esse artigo que dedico aos aniversariantes de março, aos poetas e escritores da AMEI e aos motoristas e barbeiros da CAPITAL DA FRANÇA EQUINOCIAL. Boa leitura e reflexão!
Hoje amanheceu chovendo. A minha ILHA BELA está recebendo água divina para irrigar as plantações, alimentar lagos, rios e mares e permitir a reprodução dos peixes, suprir as necessidades dos homens, resfriar a terra quente de São Luís do Maranhão e aquecer os amores nesta ILHA DO AMOR.
O pingo d’agua que cai do horizonte daquelas nuvens carregadas que se fazem água para cumprir a missão divina.
Escorrem pelos telhados e batem nas calçadas com o tique-taque que relaxa os estressados, traz a paz aos infelizes e fortalece a fé, a esperança e a sabedoria daqueles que acreditam no alvorecer irradiante de um novo dia de sol na TERRA DAS PALMEIRAS.
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.” (Gonçalves Dias)
As goteiras fazem os homens se mexerem querendo abrigo saudável e a paz interior no seu teto abençoado.
As águas correm rua abaixo, acumulam poças e buracos que se transformam em crateras e a nossa linda CIDADE DOS AZULEJOS se transforma num lago submerso pelas águas de março.
As drenagens entupidas pelos lixos despejados por humanos mal educados e as enchentes tomam conta do PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE.
Os carros se acumulam nas ruas, avenidas, bairros e centro e o vai e vem dos inocentes motoristas se faz triste, pesado, limitado e úmido como se fosse uma serpente a destilar veneno em forma líquida abundante por toda a ILHA REBELDE.
O povo sofrido a caminhar pelas ruas com os pés descalços nas águas sujas e contaminadas. A doença já não os acomete pela graça divina. São tantos os percalços da vida dura que DEUS protege os pobres mortais do calvário na JAMAICA BRASILEIRA.
A chuva não é sinônimo de catástrofe. Ela é uma forma do poderoso derramar lágrimas de alegria e dissipar o seu perfume sobre a ILHA DO REGGAE e levar consigo a maldade e os pecados dos LUDOVICENSES.
Que a chuva continue a irrigar o nosso jardim florido, a manter a água para o nosso sustento, a suprir as nossas fontes, cultivar as nossas plantações, alimentar os poços e infiltrar-se no lençol freático para filtrar as impurezas e fornecer água em abundancia para o povo sofrido da ILHA GRANDE berço de poetas, outrora ATENAS BRASILEIRA.
Neste dia do meu aniversário recebi de presente o pingo d’agua de março, sou grato ao soberano DEUS por me permitir mais um pingo de vida. Que se multipliquem os pingos como as chuvas de março.
O magnetismo da chuva me faz pensar que a vida precisa ser lavada a cada dia e que um pingo d’agua pode representar a esperança de dias melhores.
Enquanto a chuva reúne constelações de pingos d’agua e representa a vida, a renovação e a certeza de que existe um DEUS a guiar os meus passos e alimentar a nossa maravilhosa ILHA DE UPAON-AÇU.
Obrigado meu DEUS por mais um ano de vida abundante e iluminada pelo encanto, fascínio, magia e sedução da CIDADE DO PALÁCIO DE PORCELANA nesta ILHA MAGNÉTICA SÃO LUÍS DO MARANHÃO.
Água é vida! Chuva é benção divina! Um brinde à vida!
“Se meus olhos fossem câmeras cinematográficas eu não veria chuvas nem estrelas nem lua, teria que construir chuvas, inventar luas, arquitetar estrelas. Mas meus olhos são feitos de retinas, não de lentes, e neles cabem todas as chuvas estrelas lua que vejo todos os dias todas as noites.” (Caio Fernando Abreu)