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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

“VERSÃO COMPLETA” O DILEMA DO PROFESSOR (A Educação: Entre a Cruz e o Punhal)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo.” (Paulo Freire)

Era uma pequena ilha com palmeiras, casarões seculares, paralelepípedos, azulejos históricos, guarás e caranguejos, onde viviam um acadêmico, um escritor, um médico, um delegado, um político, um advogado e um professor. Juntos, eles carregavam a nobre e desafiadora missão de transformar a população daquela terra em uma proeminente expressão de sabedoria e progresso. Apesar das diferentes vocações e trajetórias, todos enfrentavam tempos difíceis e lutavam diariamente pela própria sobrevivência.

O acadêmico, cercado por seus livros empoeirados e imerso em horas intermináveis de pesquisa, mal conseguia honrar suas contas ao fim do mês. Tornou-se mestre na arte da pechincha, percorrendo as prateleiras dos supermercados da cidade em busca dos menores preços para resistir à carestia.

O escritor, dotado de uma imaginação fértil e de palavras fluidas pintadas com alma no papel, enfrentava severas privações financeiras. O rendimento de suas obras era insuficiente para sustentá-lo, obrigando-o a vender suas histórias por valores irrisórios e a compartilhar gratuitamente suas alegrias, tristezas, angústias e angústias existenciais em grupos virtuais, apenas para manter acesa a chama da visibilidade. Sonhava em ver seu trabalho reconhecido e aclamado, enquanto as despesas do lar se acumulavam implacavelmente.

O médico, cuja rotina era marcada pelo juramento de salvar vidas e aliviar o sofrimento alheio, lidava com jornadas exaustivas e estruturas de saúde precárias. Entre plantões intermináveis e a escassez de recursos básicos, enfrentava o desgaste físico e emocional de ver a vulnerabilidade humana de perto, lutando contra o tempo para equilibrar o sacerdócio da medicina com as exigências da própria vida pessoal.

O delegado, incumbido da complexa tarefa de manter a ordem e a segurança pública, vivia sob a constante tensão da criminalidade e das injustiças sociais. Diante de recursos limitados e de pressões diárias, desdobrava-se para proteger a comunidade, enfrentando o dilema ético de buscar a paz em um cenário de crescentes adversidades.

O político, encarregado de representar a voz do povo e gerir a coisa pública, via-se emaranhado em teias burocráticas e no ceticismo da sociedade. Enquanto tentava articular propostas de desenvolvimento e atender às demandas populares, lutava contra a desconfiança geral, tentando demonstrar a genuína intenção de promover o bem comum.

O advogado, defensor fervoroso dos direitos e da justiça, dedicava-se a dar voz aos injustiçados nos tribunais. Enfrentava a lentidão dos processos judiciais, a concorrência predatória e as incertezas financeiras da profissão, mantendo-se firme na busca do equilíbrio social e do cumprimento das leis.

E o professor, farol do conhecimento e pilar silencioso da sociedade, dedicava sua existência a moldar mentes e corações. Apesar da desvalorização estrutural e das condições adversas de trabalho, exercia sua função com paixão contagiante. Era por meio de sua entrega, resiliência e capacidade sem limites de inspirar que todos os outros profissionais floresciam: sem o mestre, o médico não diagnosticaria, o advogado não defenderia, o delegado não aplicaria a lei, o político não governaria, o acadêmico não pesquisaria e o escritor não versaria. O professor carrega o legado sagrado da transformação, formando os cidadãos que constroem o futuro.

Apesar das dificuldades, esses personagens compartilhavam histórias de luta, perseverança, força, foco e fé para darem continuidade às suas missões. O acadêmico buscava inspiração nas palavras do escritor; o médico encontrava no apoio do advogado a garantia legal para seus atos complexos; o advogado apoiava a atuação ética do delegado na manutenção da ordem; o delegado garantia a segurança necessária para as articulações do político; o político buscava no conhecimento do acadêmico a base para projetos públicos consistentes; enquanto o professor guiava e fundamentava a caminhada de cada um deles. Juntos, formavam uma unidade de propósito para superar as adversidades e erguer uma sociedade educada, respeitosa, promissora e justa. Assim, mesmo diante dos obstáculos e das incertezas do amanhã, prosseguiam na jornada desafiadora com trabalho e dedicação, confiando que seus talentos seriam reconhecidos e apoiando-se mutuamente em meio às tempestades da vida.

Essa história nos lembra que nem sempre as aparências refletem a realidade e que cada pessoa carrega sua própria batalha invisível. Daí a suma importância da empatia e da compreensão mútua. Devemos encontrar forças uns nos outros para enfrentar as tempestades da existência com coragem e determinação, superando a dura realidade submersa nas águas profundas da utopia.

“Até onde posso vou deixando o melhor de mim… se alguém não viu, foi porque não me sentiu com o coração.” (Clarice Lispector)

O lado sublime de ser professor é que, enquanto se ensina, aprende-se continuamente. Em um dia, enfrenta-se a crítica injusta ao buscar o melhor dentro das limitações existentes; noutro, supera-se a si mesmo na arte da paciência ou sente-se o peso do embrutecimento gerado pela falta de entendimento e de respaldo.

O estresse torna-se um companheiro cotidiano. O aluno pode representar o mel ou o fel, a depender das circunstâncias; a aula transforma-se em motivo de imenso prazer ou de doloroso sacrifício; o ambiente escolar alterna entre luz e escuridão; e o ensino oscila entre a verdadeira libertação transformadora e o risco da alienação. Métodos retrógrados e avançados se chocam, avaliações ora instigam, ora limitam, e os questionamentos dos educadores nem sempre encontram receptividade ou a devida valorização.

Para conviver com esses desafios, os professores transformam-se em verdadeiros super-homens e supermulheres, artistas, psicólogos, criadores e especialistas na arte de acreditar no impossível. Acendem luzes no fim do túnel de uma geração por vezes desapontada e desacreditada no valor da educação e no futuro, resgatando estudantes que se afastavam dos estudos e das oportunidades. Seja na matemática, na física, na química, na história, no português, no inglês, no espanhol, na geografia, na educação física, na filosofia, na literatura, nas artes, na religião ou na sociologia, cada disciplina exige um especialista dedicado. Esse profissional, que carrega sua mochila de escola em escola, sobrevive do trabalho árduo, da resiliência e da crença inabalável na capacidade de tornar seus alunos cidadãos e profissionais realizados. Sem o professor, não haveria a multiplicação do saber, nem a inovação que move o mundo.

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” (Madre Teresa de Calcutá)

Ao professor cabe a nobre missão de resgatar crianças, jovens, adultos e idosos que vislumbram novas possibilidades na educação. Esse compromisso estende-se a todos que compõem a comunidade escolar: recepcionistas, secretárias, cozinheiras, coordenadores, supervisores, técnicos, administradores, gestores e organizações públicas e privadas que tornam viável o sonho de um ensino emancipador.

“É impossível avaliar a força que possuímos sem medir o tamanho do obstáculo que podemos vencer, nem o valor de uma ação sem sabermos o sacrifício que ela comporta.” (H. W. Beecher)

O lado bom de ser professor é a capacidade de integrar todas essas facetas com amor e dedicação. O educador se alegra, ensina, aprende, estuda e se torna um exemplo vivo para gerações de alunos. Cada mestre é uma gota de esperança, lapidando talentos e transformando o mundo em um lugar melhor com garra, determinação e fé.

A todos os professores, expresso o meu mais profundo reconhecimento, respeito e gratidão. A vocês dedico esta crônica.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” (Nelson Mandela)

“Somos todos geniais. Mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido.” (Albert Einstein)

São Luís, 12 de outubro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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