Por José Carlos Castro Sanches
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“O homem é livre para fazer escolhas, mas é prisioneiro de suas consequências.” (Pablo Neruda)
O que a eleição de 2026 me ensinou? A verdade caminha a passos firmes e sempre revela suas respostas quando chega a hora certa. Até o palhaço Tiririca, por 16 anos usado como “puxador de votos” e figura de proa do protesto cômico nas urnas, provou do amargo remédio da rejeição popular ao buscar novos ares e ver sua votação minguar expressivamente até ficar de fora da Câmara.
“Quem planta, colhe” parece ser a máxima perfeita para dar o pontapé inicial nesta reflexão — ainda que o adágio popular mostre que o tempo é igualmente oportuno: o oportunista, o “vira-folha” e o traidor dificilmente passam impunes pelo tribunal do tempo. Nada como um dia após o outro para comprovar essa implacável lógica da vida, que revela a verdadeira face de cada um.
Desde 2018, quando a onda bolsonarista tomou conta do cenário político nacional, vimos uma profusão de candidatos que se apoiaram na popularidade do capitão para alavancar suas carreiras e alcançar a vitória nas urnas. Dentre estes, alguns se mantiveram fiéis e enfrentaram juntos as tempestades políticas; outros, contudo, mudaram de lado ao primeiro sinal de vento contrário, acovardaram-se, romperam as alianças de campanha e cuspiram no prato em que comeram. O resultado dessa postura não tardou a chegar: a resposta do povo veio de forma implacável nas urnas. Dezenas de políticos com esse perfil amargaram a perda de seus mandatos, falharam na tentativa de reeleição e hoje lamentam a flagrante derrota.
O cidadão comum não está cego. Embora as injustiças se sucedam nos âmbitos Executivo, Legislativo e Judiciário, o sacrifício dos valores éticos e morais por parte dos traidores desperta na população uma clara percepção de justiça. A reação do eleitorado reflete não apenas o descontentamento, mas o amadurecimento da consciência política. A postura do cidadão brasileiro — traduzida em votos que buscam novos horizontes — expressa o desejo profundo de transformação do cenário político e de renovação das atitudes, inclusive em relação aos ministros da Suprema Corte, que parecem ter se perdido entre suas premissas constitucionais e as amarras da política partidária que os cooptou.
Diante desse cenário de incertezas e vaidades, o Brasil se encontra em uma encruzilhada histórica. A reconstrução do país não virá por decreto, tampouco pela hegemonia de um único grupo, mas pelo resgate urgente da credibilidade dos Três Poderes. Quando Executivo, Legislativo e Judiciário abandonam o equilíbrio institucional para se desgastarem em conflitos de egos e interesses mesquinhos, é a nação inteira que padece. Reaver a confiança das instituições exige mais do que discursos inflamados: demanda maturidade republicana, respeito à Constituição e a compreensão de que o poder emana do povo e a ele deve servir. O futuro do Brasil depende da nossa capacidade coletiva de plantar responsabilidade hoje para colhermos uma democracia sólida e justa amanhã.
“A cética sabedoria do povo é a última barreira contra a tirania e a leviandade dos poderosos.” (Hannah Arendt)
São Luís, 05 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.


