Por José Carlos Castro Sanches
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“A cidade não é um problema, é uma solução.” — Jaime Lerner (Urbanista e arquiteto)
Caminhar pelas ruas de Rosário é, inevitavelmente, um exercício de escavar a própria memória. Repetindo os passos de outrora — o trajeto diário entre o lar dos meus pais, o Jardim Paroquial e o Grupo Escolar Dr. Paulo Ramos —, reencontrei o passado nas esquinas, nos rostos dos velhos amigos e nas fachadas das casas que resistem ao tempo. Enquanto me confrontava com o dissabor do presente acumulado nas sarjetas.
É evidente que a cidade cresceu. O comércio expandiu-se, as ruas ganharam asfalto, escolas e bancos multiplicaram-se, enquanto o tráfego de motos e automóveis redesenhou o ritmo urbano. No entanto, sob essa casca de suposto progresso, há uma ferida antiga que insiste em se expor nas sarjetas: um contraste angustiante entre o asfalto novo e o esgoto a céu aberto, impondo aos moradores e transeuntes uma convivência insalubre com o descaso.
“O saneamento básico é a medida principal de higiene pública; sem ele, a civilização é apenas uma promessa vã.” — Oswaldo Cruz (Sanitarista e cientista)
Diante disso, faço um apelo urgente ao prefeito, aos vereadores, às autoridades locais e a cada cidadão rosariense: é imperativo encampar projetos para a drenagem permanente do esgoto acumulado ao longo da Rua Heráclito Nina, a principal artéria da nossa cidade.
Investir em saneamento e drenagem vai muito além de obras subterrâneas; é uma intervenção direta na dignidade humana. A eliminação dessas valas fétidas reflete-se imediatamente na saúde pública, reduzindo a incidência de doenças veiculadas pela água e aliviando os postos de atendimento médico. Além disso, transforma a imagem urbana, valoriza os imóveis locais e devolve ao cidadão o orgulho de pertencer, elevando a satisfação de viver em Rosário.
“A arquitetura e o urbanismo devem servir à vida, curando as cidades e devolvendo a dignidade aos espaços públicos.” — Jan Gehl (Arquiteto e urbanista)
Afinal, a cidade que queremos não pode ser medida apenas pela quantidade de veículos ou pelo asfalto estendido, mas pela qualidade do ar que se respira e pela segurança sanitária que oferece aos seus filhos. O poder público municipal tem o dever histórico e constitucional de zelar pelas condições sanitárias da urbe, entendendo que cuidar do escoamento das águas e de efluentes é cuidar da própria alma da comunidade.
Que a sociedade rosariense se mobilize em favor desta causa vital, fazendo chegar este apelo aos legisladores e ao gestor municipal. O desafio está lançado: mãos à obra, porque Rosário merece respirar com dignidade.
Rosário, 08 de outubro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.




